Show de horrores.
maio07

Show de horrores.

Pode-se dizer que, nessa Sére D, o Santa Cruz está vivendo um verdadeiro show de horrores. É como se pudéssemos juntar em uma produção cinematográfica Christopher Lee, Peter Cushing e Vicent Price com Segurado, Leston Jr. e Dudu Mandai. Os títulos poderiam ser: “Terror na Av. Beberibe”, “O satânico Doutor ALN” ou  “O exorcismo do ProSanta”. O nível técnico do Santinha é assombrosamente ruim. A camisa mais pesada da competição possui o time mais aleatório e desencontrado que poderíamos imaginar em nossos piores pesadelos. Como se essa galeria digna de filme de terror não acabasse por aí, ainda temos a transmissão dos jogos pela InStat TV. Vocês perceberam que os narradores não sabem os nomes dos jogadores? “Cruzou a bola”, “lançou na área”, “fez o corte”… quem fez isso, porra? Incrível. A salvação, como sempre, é a galera de Marcelo Araújo na Rádio Jornal. O rádio é eterno. O problema é que não há sincronia entre a transmissão horrorosa da InStat TV com o tempo do rádio. E ainda vão cobrar a partir do quarto jogo de cada time. Tá fácil pagar por uma desgraça dessas. Mas, pasmem, o espetáculo do capeta segue seu desfile. Decidiram convocar uma AGE no Dias das Mães e em dia de jogo do Santinha. O castelo de Drácula perde diante das maquinações malignas dessa galera. Meu voto será NÃO, NÃO E NÃO. Querem dar poder absoluto ao rei. O pior ponto dessa votação será a questão da SAF. Um tema tão delicado desses tem que ser decidido coletivamente. Não é aceitável que uma única pessoa, o presidente do clube, tenha poderes para gerir uma mudança tão radical dessas – e isso independente se você é a favor ou contra a SAF. Meu grande receio é que a dimensão política do futebol, ou seja, a participação direta da torcida no destino de seu clube do coração possa, de um dia para outro, se transformar em mera relação comercial, financeira. A situação é grave. Leston Jr. já deu, de boa. Não dá mais. Segurado também já deu. Estamos navegando em um mar cheio de perigos. Como diz a faixa da Inferno no CT: Subir é obrigação! Estamos muito fudidos, é verdade. Porém, o capital tricolor coral de mais valia, sua torcida, é foda demais. É nossa tábua de salvação, a saída da Matrix ou do Hades. Domingo, como todo louco torcedor do Mais Querido, estarei no Arruda. Meu otimismo contumaz está se esvaindo. Vamos lá ver ao vivo esse enredo que deixaria Mário Bava, Stephen King ou Hitchcock de cabelos em pé. Mas vamos lá. Essa paixão nos impulsiona e estaremos sempre ao lado do...

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Respeitem nossa torcida.
abr24

Respeitem nossa torcida.

Fui ao Arruda nesse sábado convicto de que iria acompanhar o jogo nas arquibancadas na frente do escudo. Estava com saudades da alegria contagiante de nossa torcida, da festa e da greia. Mas assim que cheguei perto do estádio fiquei surpreso com a confusão que era para entrar no portão 7. Uma multidão se espremia para entrar e a fila chegava até a ponte do canal na Av. Beberibe. A incompetência para gerir uma simples entrada em campo demonstra o absoluto desrespeito com a torcida coral. Desisti e comprei ingresso para as sociais. Tem hora que irrita ser sócio do Santa Cruz. No encontro pós-jogo em Abílio, ouvi muita gente dizendo que só conseguiu entrar nas arquibancadas após o intervalo do jogo. É foda isso. Respeitem nossa torcida, caralho. E foi exatamente essa torcida que chegou junto, mesmo se fudendo, para empurrar o time para cima dos alagoanos. A festa foi linda. Dá orgulho fazer parte disso. E foi a única coisa boa que vimos. O jogo, em si, foi um desastre. Logo de cara levamos um gol bobo de escanteio. E contra. A zaga, para variar, bateu mais cabeça do que metaleiro em show do Iron Maiden. Dudu Mandai é ruim que dói. Os xingamentos cruzaram o universo. Entretanto, essa torcida é apaixonada demais e não deixou a peteca cair. Era dia de festa, de celebrar e começar a arrancada para sairmos dessa famigerada Série D. Mas o time do Santinha é fraco demais e não ajuda sua torcida. Foi sufoco empatar contra o fraco Lagarto e esse jogo contra o ASA só acentuou nossas deficiências: defesa mal posicionada e sem pegada, meio de campo erra muito passe e o ataque não acerta a barra nem com a porra. É para deixar o cara muito puto da vida. Em um lance para lá de confuso, conseguimos um pênalti. Rafael Furtado foi lá e converteu. A galera foi ao delírio. Pense em uma coisa linda de se ver é a felicidade dessa torcida. Emocionante demais. Todo mundo se abraça, é cerveja voando, cada berro da porra e muita alegria. O jogo continuou em um nível para lá de sofrível. Isso demonstra como a Série D é nivelada por baixo. O mínimo de organização dá apara sair desse lamaçal. Mesmo assim, a torcida – sempre a torcida coral – empolgava, tornava o dia mais belo, elevava poesia dos destroços, agarrava-se à esperança e comemorava seu amor pelo Santa Cruz Futebol Clube. Então, em um lance que começou da defesa do ASA, desenhou-se um dos gols mais ridículos da competição. A transição da defesa para o ataque – e isso com...

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O sabbath das bruxas.
abr22

O sabbath das bruxas.

A palavra sábado, no idioma português, advém do latim sabbatum que é uma derivação do hebraico Shabat. É o dia de descanso dos judeus e dos adventistas. Mas para a torcida coral das bandas do Arruda é dia de ir ao Mundão e celebrar, mais uma vez, nossa paixão pelo Santa Cruz. Os povos pagãos dedicavam o sábado ao deus Saturno, daí a palavra Saturday em inglês. O famoso sabbath das bruxas é derivado do hebraico Shabat, indicando a forte onda antijudaíca da época. Seja lá como for, esse sábado é dia de muita mandinga para que o Santinha possa vencer o ASA. É preciso evocar Goya e Osman Spare para que os rituais de vitória da torcida coral possam dar certo. Temos que ser sinceros: aquele jogo contra o Lagarto foi uma negação. Muito ruim. Kléver nos salvou mais uma vez. E isso para quem conseguiu acompanhar. Série D é surreal. A galera se alvoroçou quando disseram que aquele jogo seria transmitido pela InStat TV. Todo mundo saiu correndo feito doido para se inscrever no streaming. E o que descobrimos? Era, na verdade, a InStante TV. A transmissão parecia ser feita por um maluco filmando da lua e só durou uns poucos instantes. Espero que a direção do clube resolva isso nos próximos jogos. Mas sábado – ah, sábado, meus amigos e minhas amigas – é dia de Arruda. Ir tomar uma no posto, migrar para Abílio e depois entrar em campo, comer o melhor cachorro-quente do planeta e vibrar, fazer a diferença e empurrar o time para cima dos alagoanos. E vai ser preciso muita garra. O ASA surpreendeu dando uma lapada no favorito Atlético. É para ficar ligado, pois não vai ser nada fácil essa parada. E isso em meio a uma reformulação geral no elenco, salários atrasados dos funcionários e um marketing que puta que pariu… A boa notícia é a possibilidade do Santinha embolsar 260 mil como resgate referente à transferência de Gilberto para o Toronto. Bora torcer e pagar a galera, meu filho. Assim não dá. O lado bom da história é que sábado estaremos lá no Mundão. Por isso, cara torcedora, caro torcedor, vamos ajudar o Mais Querido. Sabemos como a presença da torcida é um diferencial enorme. Ela tem o dom de elevar a moral do time, abastecer os atletas com garra e determinação – e isso por mais perronha que o caba seja. Que o sabbath das bruxas – com a trilha sonora do Black Sabbath – nos dê mais uma vitória. Avante, meu...

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Haja coração.
abr16

Haja coração.

Sua visita ao cardiologista está em dia? O coração velho de guerra está preparado para o que der e vier? Se tem marca passo ou estente, fez a revisão? Pois é, minhas amigas e meus amigos, a partir desse domingo começa a Via Crucis da torcida coral das bandas do Arruda. Haja coração para essa empreitada. E esse início se dá exatamente na Semana Santa que simboliza paixão. E é inegável que ser torcedor do Santa Cruz já é indício de ser meio perturbado quando o quesito é ser louco de paixão. A Série D é um misto de diversas coisas: loucura, desespero, esperança, agonia, teste para cardíaco e o caralho de asa. Nossa estreia na famigerada D será contra o desconhecido Lagarto. Do grupo do Santinha, a equipe sergipana é, de longe, a mais fraca. Sofreu diversas mudanças e está sem parâmetro de jogo. Por isso é muito importante entrarmos com foco total, pois não sabemos o que vamos enfrentar, seja para o bem ou para o mal. Do nosso lado, os problemas começaram cedo. Mateus Anderson e Jefferson foram vetados por lesão e tudo indica que Ratinho entra como titular. Ratinho, mô véi, é sério mesmo? Chama qualquer menino de várzea que joga melhor que ele. De boa. O time que merece atenção especial é, sem dúvida alguma, o Atlético. Os cabas são campeões baianos, o que não é pouca coisa não. A boa notícia é que nosso jogo contra eles será no Arruda, partida marcada para o dia 8 de maio. A torcida tem que lotar o estádio. Isso é um fato ontologicamente comprovado: com torcida, o Santinha muda, a garra se eleva e o time vai para cima com sangue nos olhos. Também é inegável que o expurgo progressivo da desgraça do ProSanta e do IPC está dando seus frutos. Estão pagando os salários dos jogadores. Sempre escrevi aqui sobre a bronca que é ter salário atrasado. Um time com Grafite, Keno e João Paulo cair é um crime de lesa pátria. Esse erro não pode ser cometido. É grave. Ainda mais em uma Série D infernal que tem, além do Lagarto e Atlético, o Sergipe, Juazeirense, Jacuipense, CSE e ASA. Salários em dias significa disposição em campo. Por falar em ASA, meu ingresso já está garantido. Transferiram o jogo para o sábado. Vai ser interessante ver o Arruda com 20 mil torcedores e o jogo do domingo da B com metade disso. Muita gente apareceu indignada nas redes sociais com a mudança do dia do jogo. Uma pena mesmo, mas é importante evitar confrontos que sempre acabam em violência gratuita e estúpida. Triste realidade....

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Usina F. C.
abr03

Usina F. C.

Este final de semana estou em Santos, SP, a terra do “sol paulista”. Ontem, no dia do Clássico das Emoções, estava tomando umas cervas com meu amigo Fred no Guarujá. Estava vestindo a camisa da Volt do Santa Cruz. Quando fomos pegar o carro dele no estacionamento, o cara que toma conta do lugar arregalou os olhos assim que me viu e lançou essa: “Eita. É a camisa do Santinha, é?”. Só quem diz “eita” é pernambucano. Respondi: “Sim, a camisa do Mais Querido”. Ele mudou de expressão na hora. Abriu um sorriso largo, os olhos marejaram e parecia empertigado com alguma força sobrenatural. “Joguei nos juniores em Pernambuco, ele disse. Joguei no Arruda, nos Aflitos e na Ilha. Jogávamos as partidas preliminares antes dos jogos principais”. “Caralho, eu exclamei, me lembro demais dessas partidas pré-jogo. Arretado demais”. Ele desandou a contar a vida dele no Recife, o orgulho de ser pernambucano e o amor que seu pai tinha pelo Santa Cruz. Quando estávamos saindo, ele gritou: “Até a vitória!”. Pensei que era o presságio que faltava para garantir nossa vaga na final diante do Capibaribe. Quando cheguei no ap da Airbnb, abri uma cerva, sintonizei o jogo no notebook e fui torcer.  E o que vimos nos 90 minutos de jogo? A pelada mais horrível desse campeonato. Inacreditável o nível de ruindade. Meu amigo Vini, do Recife, me mandou essa mensagem no zap no intervalo: “Pqp, que jogo feio da porra”. Acrescentei: “Ruim x Ruim”. Foi, de longe, o pior jogo do ano. Jogo truncado pela falta de qualidade, muitas faltas, um cai-cai da porra, uma tonelada de passes errados. Mas até que o Santinha se mostrou “superior” e dominava a partida. Jean Carlos parecia fatigado, exausto e não acertava uma. Bom pra gente, confabulei. Entretanto, a peleja continuou no nível entre horripilante e tétrico. A melhor tradução para esse jogo: Usina Futebol Clube. Muito chutão, finalizações risíveis e nenhum comprometimento com a bola. O Santinha quase chegou ao gol em um lance de bola parada e em um tropeção de Rafael Furtado. O que era feio ficou horrível e o que era horrível ficou inominável. Segue a pelota e vamos para os pênaltis. E pênaltis, meus amigos e minhas amigas, é loteria (inclusive um jogador de Santos ganhou na Megasena. Deveria ter jogado nessa porra, ao menos). Logo de cara Jean Carlos perdeu a penalidade. Realmente, não era o dia dele e creio que qualquer torcedor coral das bandas do Arruda tenha acreditado que iríamos direto para a final. Mas aí, em uma brincadeira dos deuses do futebol, o modo Usina F. C. foi ativado e Alex...

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Barrados no baile.
abr01

Barrados no baile.

Fomos barrados no baile e, mais uma vez, iremos acompanhar o jogo do Pernambucano do sofá. A indignação da torcida coral não é pouca coisa não. A revolta se dirige ao Governo do Estado, SDS, FPF, PM, ALN e o escambau de asa. No Tuit do Santinha, a mensagem é clara: “Torcida única, uma das medidas mais IMBECIS e sem resultado já adotadas. Pois a violência, que quase SEMPRE é fora dos estádios, não diminui por causa disso. Quem vai ao jogo para torcer e vibrar por seu time é prejudicado. Paciência”. Esequias Pierre manteve esse tom: “Acho que é preciso fazer o que for necessário para garantir o rompimento dessa aberração que é jogo de torcida única e especialmente o que vem ocorrendo a anos em Pernanbuco”. Concordo plenamente com essas duas proposições. Na verdade, parece mais que o Estado quer se eximir de sua função e deixar para lá o que pode ocorrer. A violência entre torcidas se dá quase sempre fora dos estádios, é combinada com antecedência, tem hora e local marcados, são as mesmas caras, a mesma libido e a mesma incompetência crônica de se fazer algo para coibir essa aberração. Quem sai prejudicado é quem só quer torcer em paz. Sempre fui a favor das torcidas organizadas como local de articulação política das massas. Entretanto, não dá para compactuar com a violência que se alimenta de uma alucinação social grave. Mas é evidente que uma dose cavalar de consciência de classe e educação política iria direcionar essa energia toda para algo realmente produtivo. Por isso que não tem quem me convença que esse papo de SAF é bom. Não haverá respeito pela torcida em nenhum momento. O único a ser respeitado nessa relação será o lucro. A torcida – organizada ou não – não poderá opinar em nada, uma vez que não se mete o bedelho em empresa privada. Mas, saindo dessa tergiversada, é inegável que proibir a torcida de presenciar seu time em campo ou interditar o uso de camisas do clube é uma declaração clara de que falta inteligência, vontade política e investimento para que a violência entre as torcidas seja evitada na fonte. Essa galera combina suas tretas nas redes sociais. Qualquer aparato de inteligência investigativa conseguiria monitorar essas articulações e miná-las na base. Além disso, há os casos em que a violência nem mesmo ocorre no estádio ou nas suas redondezas. Quem estava no Pátio da Santa Cruz no aniversário do Santinha e foi surpreendido com a truculência e estupidez gratuita de nosso arquirrival, sabe do que estou falando. E qual foi a causa? Surgiu a história de que nossa...

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