Minha nova obsessão: o camisa 10
maio18

Minha nova obsessão: o camisa 10

Amigos corais, ser cronista do Santa Cruz implica em algumas obrigações, que faço com rara felicidade. Ir a todos os jogos em casa (não tenho um superprograma de milhagens para viajar Brasil afora) e ver tudo o que acontece dentro e fora das quatro linhas; Ter reuniões semanais de pauta com os demais cronistas Inácio França e Gerrá Lima; Levar alguns esporros monumentais de Inácio, porque posto crônica sem foto; Acompanhar as notícias sobre o Santa; Ver as novidades da TV Coral, que agora é de uma velocidade incrível; Desenvolver e tratar alguma obsessão semanal envolvendo nosso clube. Pois bem. Minha obsessão atual é nosso craque da camisa 10. Minha é forma de dizer. É a obsessão da massa coral, o craque João Paulo. ** Ouso dizer que nosso título começou a nascer na Ilha do Retiro, quando ele fez o gol de cabeça nos acréscimos, botando a cabeça sem medo e rasgando o rosto com uma botinada do zagueiro adversário. Saiu batendo no peito e sangrando. Quando vi a imagem, pensei: “Começamos a pensar no título”. Ele não sentia dor nem nada. Só pensava no empate, que calou a torcida adversária. Depois vi as imagens da TV Coral, no vestiário. Os jogadores eram uma alegria só. Assisti a partida contra o Paraná acompanhado de uma sucessão de gemidos, lamentos. A cada matada de bola do nosso 10, a cada passe rasteiro, no pé de algum atacante coral, aquele tipo de bola que só falta o sujeito dizer “toma, faz o teu”, eu escutava um sofrido comentário. “Meu Deus, vão levar ele!” João Paulo dava um drible, alguém sussurrava ao meu lado: “Sei que o miséria do Sport está já está de olho!” Um passe, uma dividida, e um senhor com ar grave, dois lances de arquibancada acima do escudo soltava: “Tem que proibir passar jogos do Santa na TV. Se ele aparecer jogando, vão levar na hora”. A cada gol do Santa, a comemoração durava trinta segundos. Logo se instalava uma mesa redonda do pessimismo. As especulações são as mais malucas. De que o contrato dele está prestes a acabar. Que podem leva-lo por qualquer trocado. Que o Santa precisa fazer um contrato mais longo, fora as perguntas biográficas as mais diversas. De onde ele veio. Como Tininho foi encontrar o rapaz, que estava meio abandonado no Goiás. Quanto custa para levá-lo. Macumbas as mais diversas estão sendo feitas para o Sport tirar o olho grande, até porque dificilmente eles acertam, quando vêm com ingresias para o nosso lado. Vejam o caso de Anderson Pedra. Levaram e deu errado. Há vários outros casos históricos. Por trás disso tudo,...

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Raniel e o jogo de hoje
maio15

Raniel e o jogo de hoje

Vi ontem que Raniel pegou quatro meses de punição. O garoto só vai voltar a jogar bola no começo de setembro. Confesso que eu esperava que ele fosse absorvido. Mas levando em consideração que esses tribunais desportivos normalmente decidem pelo que está literalmente escrito na lei, penso que a punição ficou de bom tamanho. Nesse tempo sem poder jogar, era bom que o Santa Cruz aproveitasse e cuidasse do rapaz. Se for preciso, até levá-lo junto com o elenco em alguns jogos. Raniel tem tudo para se tornar um grande jogador. Para isso precisa ser lapidado com cuidado e com carinho. Todo esse tempo que  ele vai ter que ficar sem jogar oficialmente, pode ser aproveitado de forma positiva. Treinamentos específicos de colocação. Chutes a gol. Cruzamentos. Torná-lo um exímio batedor de faltas. Aumento de massa muscular. Enfim, o certo é não deixar o rapaz ocioso e sem perspectiva. Nessa hora, o clube precisa dar a mão a Raniel. É mostrar para o jovem atleta as vantagens que ele pode tirar destes cento e vinte dias afastados das quatro linhas. Quatro meses em futebol, não é nada. Passa rapidinho. Estamos quase na metade de maio. Daqui a pouco chega a Copa Améria e o São João. Aí, já foi o mês de junho embora. Em seguida, vem julho. Férias, festival de inverno, essas coisas e o mês acaba. Entramos em agosto, tem o dia dos pais e rapidinho chega o feriadão do sete de setembro e Raniel volta aos gramados. Mudando de assunto, hoje tem disputa. Série B, meus amigos, não tem mistério, é ganhar todas em casa e fazer alguns pontos fora. É preciso vencer para pontuar e animar torcida. É contra o Paraná, às 19h30. Para alguns o horário é dos piores. Para outros, a hora do jogo é bem convidativa. Sexta-feira, sete e meia da noite, dá para sair do trabalho, tomar uma antes de entrar no estádio e depois, quando o jogo acabar, dá para aproveitar o resto da noite. Dá até pra dar uma voada e sair pra traquinar. Esse jogo de hoje, me lembra da época que eu era pirralho. Tinha um amigo do meu pai, um vizinho nosso, que só ia para o Arruda acompanhado da secretária. Eu não entendia como aquela mulher gostava tanto de jogo. Uma vez, num jogo à noite, vi os dois saindo do Arruda de mãos dadas e disse: — Pai, ele tá pegando na mão dela. — É porque tem muita gente, menino. É pra ela não se perder. Outro dia conto essa história. Hoje, todos ao Arruda!  ...

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Sou mais meu Santa Cruz
maio07

Sou mais meu Santa Cruz

A conversa de ontem foi o jogo entre o Barcelona e o Bayern. Hoje pela manhã, assim que cheguei ao trabalho, a primeira coisa que o estagiário me perguntou foi seu eu havia assistido ao jogo. – assisti, não! Vi o da noite. 2 a 0 pro timão da Chapecoense. Ele arretou-se e ficou resmungando umas coisas. Quem quiser que se encante com esse futebol pasteurizado, ou melhor, goumertizado,  que tentam empurrar na gente a todo instante. Tudo cheirosinho, arrumadinho e bonitinho. Um luxo só. Mas não consigo me ver enquadrado nesse padrão. Eu fico imaginando se o Santa Cruz fosse o Barcelona, e se aqui fosse igual ao que vemos na tela da TV. Essa tal Champions League. Pense numa chatice, que seria! Não teríamos a feijoada no Poço da Panela. Não ouviríamos a orquestra Venenosa mandando seus frevos na nossa concentração. Ninguém tomaria uma no Mercado da Encruzilhada. Dimas, Artur, Murilo e outros bons não se encontrariam para beber no Caldinho do Bonitão. A Avenida Beberibe seria bem mais feia e tristonha. Bacalhau não usaria sua chapa preta-branca-encarnada. Chico da Cobra vestiria apenas uma camisa oficial e o SuperSanta não teria capacete. Ninguém tomaria uma cerveja gelada na beira do canal. Nem sentiria o gostoso cheiro de espetinho assado. O nosso calor humano seria gelado. Dentro do Arrudão, tudo bem organizado. Nada de ver jogo em pé na mureta e de ficar pulando no cimento da arquibancada. Após a conquista, nada de invadir o campo, de batucada na sede, de mergulhar na piscina, de zoar no Tepan, de ir na segunda-feira tomar uma no mercado da Boa Vista. Comemoraríamos de maneira comedida. Sem barulho e sem gritaria. Não, meus amigos. Prefiro que o Santa Cruz seja o nosso Santa Cruz. O time do povão. Da massa coral. O time da poeira. Prefiro meu tricolor do Arruda. Clube querido da multidão que nasceu no Pátio de Santa Cruz e viverá para sempre. *********************************** Nesta sexta-feira, a partir das 16h, no Pátio de Santa Cruz, o Blog do Santinha e a turma da Minha Cobra estarão comemorando a conquista do Estadual. É pra lá que eu vou e quem quiser pode...

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O Santa, essa eterna criança
maio04

O Santa, essa eterna criança

Muito se dirá e se escreverá, ao longo dos dias, sobre este monumental título coral. Mas eu gostaria render uma modesta homenagem a duas pessoas que já entraram na história do Santa Cruz – o presidente Alírio Neto, e sua mulher, Fernanda. Ontem, no Poço da Panela, eu estava em Seu Vital, tomando umas, antes de voltar ao local da nossa concentração, a “Sede”, comandada pelo gorducho Naná. Quando voltei, para ver como estavam as vendas da “Trologia das Cores”, alguém me avisou: “O presidente está aí”. De longe reconheci aquele olhar sereno de Alírio, acompanhado do sorriso generoso de Fernanda. Recebi um abraço apertado pelos meus 46 anos, comemorados no exato dia da decisão. Depois de várias fotos com a galera coral lá do Poço, fomos visitar o velho da nossa aldeia, que é Seu Vital. Ele estava invocado em uma daquelas duras jornadas do dominó, e quando viu o presidente, abriu um largo sorriso, tirou fotos, conversou. Pouco depois, a orquestra “Venenosa” chegou ao largo do Poço, onde estava começando um casamento. Vários convidados ficaram eufóricos, porque a noiva, disseram, era tricolor das bandas do Arruda, como diz Gerrá. Só o Santa, com essa eterna vocação para o lirismo, é capaz de desaprumar um casamento para celebrar a alegria de sua torcida. Em pouco tempo, alguns amigos chegaram, e formamos pequeno grupo, em torno de Alírio, que queria escutar,  muito mais que falar. Eram pessoas que tinham observações, comentários, sugestões, movidos, creio, por esta febre de mudanças, de novos paradigmas que se abrem para o clube. Fernanda, ao lado, compartilhava a intensidade que o dia presenteava. Tenho para mim que o sujeito tem que ser muito bom do coração, para ser o presidente de um clube de multidões como o nosso. Além disso, precisa que sua companheira seja uma guerreira. E Fernanda, de fato, é uma  mulher valente, que vai junto com ele, na vitória ou na derrota. Já de volta à Sede, Alírio comentou comigo que gostaria de voltar, outro dia, para conversar com essas pessoas com mais calma. Muita coisa interessante, de fato, tinha sido dita. A incansável Fernanda, por outro lado, fazia inúmeras perguntas sobre redes sociais a Esequias Pierre, que tem ajudado a turbinar as redes sociais da massa coral. Não é por acaso que somente dois clubes renderam publicamente homenagens ao grande escritor Eduardo Galeano, por ocasião da sua morte – o Clube Nacional, do Uruguay (o time dele), e o Santa Cruz. Após um batalhão de fotos, o horário do jogo foi avançando, era preciso voltar ao Arruda. Nos despedimos e desejei sorte para a gente. Sobre o jogo, vocês sabem bem da minha deficiência de fazer qualquer análise. Até o...

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Decisão, aniversário, feijoada, livros, orquestra de Frevo. Com o Santa Cruz é assim, meu bem
maio01

Decisão, aniversário, feijoada, livros, orquestra de Frevo. Com o Santa Cruz é assim, meu bem

Amigos corais, desde ontem olho para o relógio. Os ponteiros estão pesando 15 quilos, cada. Hoje é sexta, feriado, dia do Trabalhador. Já se passaram 15 dias, e agora são 10h48. O domingo vai demorar décadas a chegar. Mas ele haverá de chegar, junto com nossa luta heróica pelo título. Pois bem. Por essas obras do destino e do desatino, no dia 3 de maio de 2015 completo 46 anos. Já vi um monte de comentários mau-humorados aqui neste blog, mas agora não é momento de vacilos. Nosso time era o mais desacreditado do campeonato, as previsões eram terríveis e estamos a 90 minutos do título. A hora é de vibrar com o time. Não sou muito adepto de organizar festa de aniversário e sou notório farrapeiro em eventos do tipo, mas como o Santa Cruz está em questão, vamos aos fatos e ao convite. Todo jogo decisivo do Santa, Naná e uma galera do Poço da Panela organizam uma festa pré-jogo, para esquentar o cabeção e sair de lá já cuspindo fogo. Fazem contato com a Pitú, que fornece seu produto básico (adivinhem qual), acompanhado de uma suculenta feijoada e, de quebra, uma orquestra de frevo, a “Venenosa”. O evento começa às 10h, e a entrada é franca, bastando, para isso, estar vestido com o manto coral. Lá pelas tantas, quando a “Venenosa” está em ponto de bala, os músicos dão uma volta pelo Poço, e tudo que é de tricolor do mundo vai aparecendo. Ô torcida que não para de crescer, meu Deus… Vou aproveitar para festejar com os amigos e convido os leitores deste afamado blog. O local é conhecido como “A Sede”, que pode ser entendido como um local, a sede de algo, ou como a “sede” de ter muita sede de beber, coisa bem comum no Poço da Panela. É uma casa. Fica localizada a poucos metros da igreja do Poço. De longe dá para ver as bandeiras e o som da orquestra. Conversei com os senhores Inácio França e Gerrá Lima, e botaremos exemplares da “Trilogia das Cores”, de nossa autoria, para serem vendidos no local, com direito a dedicatória e um copinho de caldo de feijoada grátis. Há especulações sobre uma possível presença da Sanfona Coral, mas o sanfoneiro Chiló, como se sabe, agora só sai de casa após olhar a previsão do tempo e passar protetor solar. Quem quiser beber cerveja, leve algumas, porque grátis, só mesmo a velha e boa Pitú mesmo. Como a Sede fica a poucos metros da venda de Seu Vital, é só ir lá e pegar. Seu Vital, por sinal, faz aniversário hoje e é notório...

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