Vem surgindo uma nova Torcida
jun09

Vem surgindo uma nova Torcida

Dia desses, Allan Robert, diretor de coreografia da troça Minha Cobra, postou no facebook algo que venho comentando com alguns amigos. É sobre essa bobagem que a CBF inventou. Essa história dos dois times entrarem juntos, com uma música irritante servindo de fundo musical e pra completar, a execução de um pedaço do Hino Nacional. É o tal padrão FIFA que querem nos empurrar goela abaixo. Tenho saudades dos tempos das charangas, do papel picado, da fumaça e dos bandeirões nas arquibancadas. Uma verdadeira festa, cheia de espontaneidade. Santamante, Cobrões, Força Jovem e tantas outras, davam o tom e transformavam o Arruda numa beleza rara de se ver. Entre as  várias organizadas havia uma que me chamava a atenção, a Santanás. Não faço a menor ideia se aquilo era uma espécie de adoração ao capeta ou algo parecido. Também não conheci ninguém daquela torcida. Eu olhava a bandeira deles e viajava. Imaginava músicas. Fantasias e personagens. Quando eu via a Santanás, ficava lembrando das aulas de catecismo e na obrigação de ter que rezar logo cedo na escola. “Ah, eu com uma camisa dessa torcida naquele colégio…”. Pra minha surpresa, na semana passada tomei conhecimento sobre a possível volta da Santanás. Fiquei feliz quando li a nota oficial que recebemos. A nota vem assinada pelo Departamento de Comunicação da futura Santanás. Divertida e cheia de bom humor, em um dos trechos dela a turma diz assim: “… o verdadeiro intuito do grêmio recerativo é exorcisar todo o mal que existe no sofá da sua casa, os bixos de pé que tem no centro da sala, o morfo do controle e o xiado da sua televisão”. Em outro trecho, de forma irônica, os caras da Santanás deixam claro que são contra o  “Todos com a Nota” e mostram sua visão critica a respeito daquele programa que dava ingressos grátis para torcida. “Decidimos exorcisar o “Todos com a Nota”, também. A quantidade de mau que este programa fez para você tem que ser tratado como uma doença religiosa”. A turma já tem até logomarca para nova torcida. Sobre camisas, a ideia é não padronizar, mas fazer algo artístico e estimular o uso de fantasias. Santa Cruz, o time de Deus e do Diabo. Santa Nas alturas! São frases que eles querem usar nas faixas e bandeiras. Até paródia os caras já criaram. “Aqui no Arruda/ É a Santanás/ É Santanás/ É Santanás. Por cima/ Por baixo/ Na frente/ E atrás/ É Santanás/ É Santanás”. Pelo que eu soube, só falta autorização para usarem o nome da antiga torcida. A dificuldade está sendo, encontrar algum dos responsáveis pela extinta Santanás. Espero que...

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Meu dia de Mancuso
jun04

Meu dia de Mancuso

*Texto do nosso colaborador Zeca Fazia tempo que não recebia tanto zoação de meus amigos burro-negros. Felicidade efêmera, é fato, mas que revelou nossas fragilidades, as lacunas que devem ser sanadas o quanto antes. E este Clássico das Multidões – onde o tema do cabaço foi a tônica – me fez lembrar outro clássico onde o cabaço da leoa voou pelos ares. Foi aquele jogo em que o Santinha tirou o cabaço da leoa no Arruda em 1999. Lembro-me de Almandoz e Mancuso em campo, as defesas monstruosas de Marcelo e o gol de Luis Carlos que acabou com o tabu e o cabaço da leoa. Fui para o estádio sozinho. Na época, tocava numa banda de Death Metal e tinha o cabelo comprido, assim como o argentino Mancuso. Estava com a camisa do Santinha e o baterista da banda me deixou nos arredores do Arruda. Desci no Arruda sem saber em que lado do estádio estava. Quando cheguei à parte externa do estádio, dei de cara com a Torcida Jovem. Eles me olharam com ódio e berraram; “Olha o filho da puta do Mancuso ali. Vamos matar esse porra!”. Meus amigos, como sou um pacifista por natureza e avesso à violência, fiz a única coisa sensata: sai correndo feito um louco. Aqueles insanos correram atrás de mim, gritando e bufando. Corri tanto que, antes que me pegassem, bati na Inferno Coral que ainda não tinha entrado em campo. “Olha Mancuso, galera’, disseram, ‘nosso herói. Bora, Mancuso”. Que felicidade. Me abraçaram, gritaram “É tricolor” e saíram na porrada com a torcida adversária. Eu saí correndo e entrei no campo. Cerveja, cachorro-quente e a alegria da vitória. Lembro-me que quando o jogo acabou – eu estava na geral junto da bateria da torcida – alguns torcedores pularam em campo. Outros aproveitaram para roubar relógios e carteiras. Pois é, isso é Brasil, meu amigo. Só para os fortes. Mas não tem como esquecer essa tarde louca, iluminada e com um cabaço voando pelos ares. Infelizmente, a lembrança desta última quarta vai ser amarga. Mas um time grande se faz assim mesmo: aprendendo com os seus erros e visando sempre subir, subir sempre. Vamos nos vingar na casa dos festejos. Por enquanto, neste sábado tem o bar Sukito e mais Rivotril e cerva diante do Atlético-PR. Bora, Santinha! Junta mais essa vitória! *Zeca é filosófo, professor, músico, metaleiro e Santa Cruz de corpo e...

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… é Milton Mendes!
jun02

… é Milton Mendes!

Ontem, quando vi Milton Mendes tirar o meia Fernando Gabriel do castigo e colocá-lo no lugar do desastrado zagueiro Alemão, me lembrei do jogo da volta contra o Rio Branco, pela Copa do Brasil. Era a primeira vez que Milton Mendes comandava o Santa Cruz no Arruda. Naquela partida, perto dos quarenta minutos do primeiro tempo, o professor sacou Everton Senna que estava quebrando um galho na lateral direita e não jogava bem, e promoveu a estreia do garoto Ítalo. O rapaz que é atacante foi jogar na lateral direita. Ninguém que entendeu direito a mudança. Até porque, o óbvio mandava ele botar Lelê e deslocar Léo Moura, que estava em atuando no meio, para o lugar de Senna. Na ocasião, o estádio inteiro perguntou: — O que danado esse treinador tá fazendo?! Alguns até tentaram contemporizar e responderam: — Calma, ele ainda não conhece bem o elenco. Outros disseram: — O cara já fez estágio com José Mourinho em Portugal! A substituição não surtiu efeito. Pelo contrário, Ítalo ficou perdido em campo e logo no inicio do segundo tempo foi substituído. Saiu triste e cabisbaixo. Foi de um jeito que a turma das sociais tentou dar um conforto, e aplaudiu o jogador. Milton Mendes tem dessas coisas. Tira atacante e bota lateral. Saca zagueiro para colocar meio-campista. Substitui lateral por atacante. E por aí vai! Dizem que ele tem um monte de curso na Europa. Pode ser que no futebol daquele continente, seja comum essa história de trocar zagueiro por atacante, goleiro por volante, jogar com dois laterais esquerdos. Outro dia, contra o Fluminense lá no Rio, terminamos o jogo com cinco atacantes em campo. Quando a bola entra ou quando o resultado é bom, esse jeito heterodoxo de fazer futebol enche os olhos dos modernos e deixa os tradicionalistas confusos. Eu acho bem legal essa história de “quebrar paradigmas”, de novas invenções, do moderno, da vanguarda. Admiro os que fogem da mesmice. Mas ontem, quando nosso treinador tirou Alemão, botou Fernando Gabriel e recuou Uillian Correia para zaga, fiquei pensando na possibilidade de Milton Mendes, no intuito de ganhar um jogo, inventar de tirar um jogador de linha, botar o goleiro reserva e mandar Thiago Cardoso ir jogar no ataque ao lado de Grafite. Será que a regra permite...

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