Santa Cruz de corpo e alma.
nov03

Santa Cruz de corpo e alma.

Meus amigos tricolores, um dos lugares mais icônicos da velha guarda santacruzense é o Bar e Restaurante Santa Cruz que é capitaneado pelo tricolor mais respeitado que conheço: o Seu Sebastião. O filho de Seu Sebastião ajuda no atendimento aos clientes, além do velho Geraldo e de Seu Manoel. Pense numa galera de primeira. E pense num lugar pitoresco em essência. Toda semana aporto no recinto para tomar umas Brahmas, comer um guisado e filosofar sobre a existência. Vez ou outra me encontro com Sama lá para colocar o papo em dia e beber todas. Neste domingo, estava lá em Seu Sebastião com alguns amigos. Na hora de pagar, notei uma foto do velho tricolor com dois amigos das antigas. “Amigos tricolores, Seu Sebastião?”, perguntei. “Claro. Mas tá vendo este aqui – ele disse apontando para um senhor de cabelos brancos – esse porra vivia no Arruda. Ia para jogo, treino, lançamento de camisa. Apaixonado”. “Não vai mais?”. “Esse meu grande amigo está doente. Vive em casa… amuado. Não pode ir mais ao Arruda. Não pode realizar sua maior paixão que é estar perto do Santa Cruz”. Puta que pariu, pensei. “E ia mesmo com o time na pior?”. “Sempre. Tricolor apaixonado é assim mesmo, professor. Só quer saber mesmo é de estar perto do time”. Fiquei matutando sobre esse amigo. Pensei na campanha que o Santinha está fazendo para convocar a torcida para o jogo no Arruda contra o América. O mais interessante é que a campanha mostra funcionários humildes do clube. O povão. Gente trabalhadora, honesta e apaixonada pelo nosso Mais Querido. A essência do que esse clube representa historicamente. Eu sempre vou ao Arruda. Espero ir até o fim dos tempos. Bem ou mal, subindo ou descendo, com ou sem crise, o Arruda é lugar da torcida. Um espírito ancestral paira naquele lugar. E domingo estarei lá. A vitória seria uma grande homenagem ao amigo de Seu Sebastião: um tricolor de corpo e...

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Santa Cruz na cabeça
nov01

Santa Cruz na cabeça

Dos poucos grupos de zap-zap que participo, alguns são do Santa Cruz. Na verdade, quatro grupos são formados por tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. Cada um com suas peculiaridades e suas doidices. Um grupo com 19 pessoas. Outro tem 12. Tem um com 13 participantes.  E, um deles, com 168 corais. Isso mesmo, cento e sessenta e oito apaixonados pelo Santa Cruz Futebol Clube. No grupo dos dezesseis, reina a bipolaridade. Se o time estiver bem, o mundo é uma maravilha, o Brasil se livrou da corrupção e o Recife é uma cidade extremamente segura. Se nosso esquadrão perde, a vida vira uma desgraça. Nada presta. Tudo está perdido. Nesse grupo, eu me divirto com a ira de alguns malucos. Na turma que tem treze tricolores, a amizade é antiga. O Santa Cruz nos uniu. Nesse grupo, tem uns que pensam que entendem de futebol, outros tem plena consciência que não entendem porra nenhuma e uns dois ou três, são daqueles chatos que só sabem criticar. O dos doze é uma onda! Amigos de futebol, forró e carnaval. Alguns são ateus. Ninguém frequenta igreja. Todos são profissionais na bebida. Nesse grupo, tem hora que se fala mais de política do que de futebol. A cachaça e a farra estão acima de vitórias, empates e derrotas. Ninguém leva o Santa Cruz muito a sério. Nesse grupo Thiago Cardoso não é unanimidade, Luan Perez é chamado de zagueiro de condomínio, Milton Mendes é tratado como louco e Doriva faz parte da lista dos piores treinadores que já apareceram por aqui. Já o grupão, o que tem 168 apaixonados pelo Mais Querido, esse merece um estudo. Primeiro que só é permitido assuntos que tratem do Santa Cruz. Quem manda piadas, vídeos, aquelas mensagens tabacudas de bom dia e outras donzelices, é esculhambado e sumariamente excluído. Engraçado são os pedidos para que incluam a pessoa de volta. Mas o melhor desse grupo é que não existe os chatos de plantão, os que só criticam e sentem orgasmo ao reclamar. Quando aparece um desse, naturalmente é engolido pelo positivismo. Lá, o lema é acreditar sempre. Na derrota ou na vitória, é Santa Cruz na cabeça. Frases do tipo: “Torcer qualquer um torce. Fazer parte de uma história de superação e travar uma guerra a cada campeonato, é para poucos!” Ou: “Vamos firme e forte fazer o que fazemos de melhor : apoiar nosso time! Sempre!” São comuns no grupo dos cento e sessenta e oito. Essa semana, mandaram uma foto bem legal. Era de uma bandeira com o escudo do Santa e o seguinte texto:  meu amor por ti nunca será rebaixado....

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