Doidice coral.
set30

Doidice coral.

Eu estava tomando um chope na saudosa Budega do Abel quando vi Samarone entrando com uma porrada de livros na mão. Ele estava divulgando A Trilogia das Cores, 3 volumes que traziam uma caralhada de textos do Blog do Santinha escritos por ele, Gerrá e Inácio França. Uma seleção das melhores crônicas desse blog. O ano era 2015. Eu já vinha realizando algumas parcerias filosóficas, literárias e artísticas com Sama. Essa parceria se tornou ainda mais ativa quando ele abriu o também saudoso Sebo Casa Azul nas ladeiras lisérgicas de Olinda. O nosso amado Santinha estava em processo de eleição e a galera maluca do Poço da Panela – capitaneada pelo mais que saudoso e gigante Naná – começou a realizar umas feijoadas regradas a muita cana para divulgar as chapas. A maioria da galera estava apostando em Alírio. Não tem jeito, somos seres de esperança. Ainda bem. Diante de uma crise, de má gestão, de desacertos e ruindade escancarada, a boa e velha esperança surge em nosso socorro. Conheci Alírio e sua trupe e acompanhei a vitória da chapa que, como sempre, prometia transparência, boa gestão e bons resultados em campo. Uma das coisas que considero inegavelmente boa nessa gestão foi a contratação de Sama e Inácio para a comunicação do clube. É preciso entender que ambos são jornalistas formados, grandes profissionais que possuem todo o respeito da classe. Possuem inteligência, honestidade, clareza e um puta talento para escrever. Foi aí que Sama veio falar comigo: “Zeca, a situação da grana tá meio apertada e recebi uma proposta de emprego foda: trabalhar na comunicação do Santinha”. “Caralho, eu disse, que arretado, meu velho. Muito boa essa notícia”. “Mas tem um problema, ele me disse, não poderei mais escrever no Blog do Santinha. Trata-se de uma questão ética. Tu sabes que o Blog é muito crítico, uma greia geral e não dá para conciliar as duas coisas”. “Então, eu questionei, o blog vai fechar?”. “Fechar uma porra, ele respondeu de uma tacada só. O Blog vai continuar. Pensamento crítico é uma coisa que nunca podemos desistir. Ainda mais quando falamos do Santinha. Por isso queria te convidar para entrar no blog e continuar nossa tarefa. Não posso escrever e descer a porrada, mas tu podes”. Daí ele me deu a Trilogia de presente. E que presente! Puta que pariu, eu pensei. Que responsabilidade do cacete. Assumir a escrita em um blog que tem leitoras e leitores cativos e que vai perder, por uma questão mais do que natural que é a necessidade de grana, dois grandes escritores de uma tacada só. Os fundadores dessa bagaça. Mas aceitei o desafio...

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É pedir pra cagar e sair!
set25

É pedir pra cagar e sair!

No Sampa Cruz nessa Caraia, Raul manda um zap. “Olha quem apareceu. Chegou no meu e-mail.” E completou com um irônico agora a gente chega. Caramba – eu pensei – o cara ainda usa e-mail! Foi quando reparei que era um texto publicado no falecido Blog do Santinha. Nem lembrava mais que ainda existe esse negócio de blog. Raul é dos velhos tempos do Blog. Foi por lá que a gente se conheceu. Fomos nos aproximando. Ele morava em São Paulo. Hoje o bicho reside na manguetown. Voltou a trabalhar por aqui. Coincidentemente, ele chega a ser parente da minha esposa. Ou seja, Recife é um ovo. Todo dia a gente se fala no grupo do zap. É uma verdadeira seleção de tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda que anima minhas horas. Acho que foi Raul que me botou no meio dessa turma. Alguns eu até já conhecia. É um dos poucos grupos de zap no qual interajo. Santa Cruz, música, bebidas, política, etc e tal, são os assuntos do dia-a-dia. Divergimos pouco no grupo. Somos todos #ForaBozo, #ForaProSanta e #ForaJoaquim. Sim, mas voltando ao assunto. Aí, Raul mandou um link do texto publicado no Blog. Mandei um puta que pariu de acordo com a norma culta do zapzap, “pqp”. E completei com a pergunta:  ressuscitaram o blog? Fui ver para ter certeza. E não é que Zeca escreveu no Blog! Eu nunca mais tinha tido notícias do filósofo coral.  Não sei vocês, mas nestes tempos modernos, fico alegre em saber que certas pessoas estão vivas e também fico bem contente quando sei que alguns seres humanos morreram. No caso de Zeca, fiquei feliz! Caralho – eu pensei – o cara teve inspiração pra escrever um texto no Blog! Enterraram o Santa Cruz na lama, mas a doidice da nossa torcida continua solta por aí. E fiquei matutando. Deu vontade de escrever algo. Mas escrever o que? Nem sei mais a senha. Mesmo assim, peguei o gancho numa tiração de onda no Sampa Cruz nessa Caraia e batuquei uma linha: A começar pelo Altos, o nível desta Sericê foi alto pro Santa (ei ProSanta VTNC). Parei quando fechei os parênteses. Pois, imediatamente, lembrei de Artur Perruci e do Blog Torcedor Coral. E também de Paulo Aguiar, Dimas e Geó. Estes dois últimos eu tenho visto. Artur e Paulinho, espero que estejam bem. Meu pensamento foi pra outro lado, me dispersei, não continuei a escrita e deixei o Blog do Santinha para lá. Ontem à tarde, do nada, Raul manda outro texto publicado no Blog. Desta vez, ele copiou e colou o texto no zap. O miserável – eu...

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Amor sem divisão.
set24

Amor sem divisão.

Assim que o Santinha foi rebaixado para a Série D, o Maestro Forró – um tricolor coral apaixonado – declarou seu amor incondicional ao Mais Querido: “Amor sem divisão”. O compositor do clássico Vulcão Tricolor está certíssimo: o amor ao Santa Cruz transcende as crises atuais. É algo atávico, aquilo que nos constitui, um elemento incontornável de quem somos. Mas isso não pode significar que devemos entender que o clube é algo abstrato. Ao contrário, um clube de futebol tem sua história construída por pessoas muito concretas, absolutamente reais. Todos estão envolvidos nessa construção: torcida, time, comissão técnica, investidores, instituições e diretoria. Como sempre afirma meu grande amigo Leonardo Neves, é preciso ter um pensamento hedonista crítico. Isso significa que aquilo que nos dá prazer, aquilo que amamos deve ter como norte um olhar sempre crítico. Pensar o amor ao Santinha sem colocar na mesma balança o pensamento crítico é algo que considero descabido, uma vez que há o elemento político, gerencial e administrativo dentro de uma organização que disputa campeonatos. Não podemos ser masoquistas quando estamos falando de futebol. Crítica, ação, colaboração, planejamento e inteligência são elementos fundamentais. Evidente que nossa situação atual é terrível. O ProSanta teve mais erros do que acertos. Em um artigo recente publicado no GE de Daniel Gomes e intitulado  “vestiário do medo”, lemos desabafos de jogadores e funcionários que compuseram essa atual temporada. Parece unanimidade entre os que foram ouvidos que o clima dos bastidores era o pior possível: pairava uma ameaça constante de demissão, algo que só quem vive em uma empresa privada que possui esse clima sabe como é. O medo é real – assim como a irritação, frustração e impotência. Declarações como “a gente trabalhava sempre com medo de ser demitido do dia para noite” parecem frutos de uma péssima gestão de pessoas. O ProSanta nunca deve ter ouvido falar de Peter Drucker, Peter Senge, Lencioni ou Chiavenato, pensadores clássicos da administração do capital humano. A demissão autoritária e equivocada de Paulinho e Didira, bem como o desmonte gradual da antiga comissão técnica causaram mais danos ainda. Como relatou um ex-jogador sobre a demissão de Martelotte: “Cara, Martelotte tinha o grupo na mão. […]O grupo do WhatsApp ficou ‘nervoso’ de tanta mensagem. Ali, a gente via que isso estava errado”. Além disso, os jogadores reclamavam que havia mais gente de gravata dentro dos vestiários do que atletas. Por fim, o ultimato dado pela diretoria: “Ou produz, ou está fora”. E, no texto do Daniel, uma constatação que traduz muito nosso tempo atual: “Todas as pessoas que foram ouvidas pela reportagem usaram a mesma expressão para definir a diretoria de...

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Herança maldita.
set20

Herança maldita.

Presidente do conselho deliberativo do Mequinha, vice de ALN em 2010 e candidato à vice de Albertino em 2017. Quem é? Pois é, meus amigos e minhas amigas, nosso presidente. O que isso significa? Significa que o nosso atual estado de coisas não tem nada de novo. Sempre do mesmo. Esse discurso de que a culpa de nossa decadência é devido a uma herança maldita não se sustenta. E isso por duas razões. Primeiro, como bem lembrou o torcedor coral Arthur Silva no Twitter, Joaquim Bezerra apareceu em uma live, ao assumir o cargo,  dizendo que o cenário era melhor do que eles esperavam. O Santinha tem uma das maiores folhas da Série C e foi, temos que admitir, uma competição nivelada por baixo. Parece que um espírito amador, falta de conhecimento de mercado diante da competição e desacertos contínuos de gestão marcaram, em definitivo, nosso modo de encarar o futebol. E vale lembrar que se não fosse a nossa base herdada de gestões anteriores, possivelmente a nossa realidade fosse ainda pior. Inegável afirmar que as diretorias anteriores não foram boas. Creio que essa sensação tinha que ser combatida e foi um dos fatores fundamentais para a eleição do ProSanta que soube muito bem conduzir esse sentimento da torcida. Como bem argumentou Marcelo Almeida aqui no blog, faltou compreensão das dificuldades do que é disputar uma Série C e uma necessidade descabida de fazer uma varredura na comissão técnica e jogadores da temporada anterior. Até hoje tento entender a razão dos desligamentos de Paulinho e Didira. Além das contratações exageradas e equivocadas feitas a posteriori. Segundo, se o argumento de uma herança maldita for levado a sério, então não poderemos votar em mais ninguém, pois a mesma sempre estará lá. Que os exemplos do Flamengo e do Cruzeiro – tão antagônicos – possam nos servir de inspiração. Acusar o passado imobiliza as ações do presente. Se alguém for se candidatar, é óbvio que deve ter em mente os problemas atuais do clube. De minha parte, acreditei em Alírio e no ProSanta, confesso. Mas agora não tem torcedor que se ache o entendedor de política do clube, o maior tricolor coral de todos, aquele que vive e respira o Santinha que me convença a votar e acreditar em chapa alguma. Só acreditarei, no futuro, em resultados. Só assim irei apoiar essa ou aquela diretoria. Para mim já deu acreditar e sempre me deparar com desastres. Vivendo e aprendendo. Prometeram o acesso à Série B como o grande objetivo desse ano e recebemos um vergonhoso rebaixamento para a Série D. Sim, o final de semana foi terrível e não teve fé...

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Credo quia absurdum est.
set17

Credo quia absurdum est.

O aniversário de minha netinha de 4 anos será amanhã. Será um dia para celebrar, de alegria, brincadeiras e muita glicose no sangue com doces, bolos e refrigerantes (coisa que nunca faço durante o ano). Precisarei  malhar muito depois dessa. Apesar de muita gente pensar que sou o pai dela – o que faz muito bem para a vaidade do ego – eu, na verdade, me sinto como um pai renovado, uma nova e poderosa paternidade. Mas o que isso tem a ver com o Santinha? Pois, meus amigos e minhas amigas, tudo. Pois esse sábado será um dia de descontração, um dia para relaxar e, sem aglomeração, estar junto com poucos familiares. O que será bem diferente do domingo quando o Mais Querido entra em campo com uma missão quase impossível, digna de Tom Cruise e suas ações mirabolantes. Enquanto o sábado será só júbilo – isso se o Floresta perder para o Volta Redonda no sábado, jogo às 15 horas – o domingo representará sua antítese: um dia tenso onde a esperança, quase morta, dará seus estertores na busca de mais sobrevida. Se o Floresta empatar ou ganhar, já era. E a tarefa, para o Santinha,  não é nada fácil.  Após muita lambança de nossa atual diretoria de futebol, a nossa situação na Série C é periclitante: faltando apenas duas rodadas para encerrar o certame, temos apenas 11 pontos em 16 jogos, 2 vitórias, 5 empates e nove derrotas. São apenas 9 gols marcados contra 16 sofridos, um saldo negativo de 7 tentos. Nada animador. E, caso, por um milagre inexplicável (como deve ser todo milagre) consigamos vencer, nosso martírio não terminará nesse jogo contra a Tombense que está em terceiro lugar no grupo. Além de torcer contra o Floresta, no sábado,  e a Jacuipense, no final do domingo,  ainda teremos, no dia 25, a última partida contra o Botafogo da Paraíba – e ainda tendo que torcer contra nossos adversários diretos. E isso nos melhores dos cenários. Nesse momento de agonia, é bom lembrar a frase de Tertuliano, um cristão fervoroso: “Credo quia absurdum est”, ou seja, eu acredito porque é absurdo. Para o pensador nascido em Cartago, a fé, ou esperança, era superior à razão. Para Nietzsche, ao contrário, essa frase representava a bandeira de um fanatismo extremado. Fernando Pessoa, que não era besta,  transformou-a  poeticamente: “Nunca fui mais que um boêmio isolado, o que é um absurdo; ou um boêmio místico, o que é uma coisa impossível”. E aí, cara leitora, caro leitor: você é alguém que ainda acredita, apesar de absurda e muito improvável nossa continuidade na Série C ou acha que acreditar,...

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