Três cores, dois nomes e uma paixão
jan31

Três cores, dois nomes e uma paixão

Mal começou o jogo, gol do Santa. Eles se abraçaram. Se apertaram. Parecia um corpo só. Logo em seguida, dois minutos depois, numa bobeira fenomenal, o time sofre o empate. Um gol besta, típico de pelada. O pau ainda estava um pouco duro. Se olharam. Não deram uma palavra. O jogo foi ficando truncado. O Santa Cruz parecia que iria se atrapalhar com a equipe do Afogados. P… foi comprar cerveja. L… ficou só e lembrou da ultima vez que tinham ido ao Arruda. Havia sido no jogo contra o Operário, na sericê. Estádio lotado, adrenalina nas alturas, nervosismo geral, o Mundão estava lindo naquele domingo. Foram para arquibancada. Veio a lembrança da bebedeira depois da partida e da farra que fizeram. “Foi loucura”, recordou. E viu que estava com a mesma camisa daquele dia. Uma retrô do ídolo Birigui. Treparam bastante naquele dia. P.. voltou com a cerveja. “Trouxe um copo pra nós dois. Pra não esquentar”. Numa bola que sobra na entrada da área, ali entre a meia-lua e o lado direito do nosso ataque, Diogo Lorenzi acerta um chutaço. P… e L… estavam de mãos dadas, trocavam carinhos. A pelota sai rasgando o ar na diagonal, meia altura e estufa o barbante. Um golaço. Desses de limpar a vista e de avisar ao adversário sobre quem manda na partida. P… abraçou L… por trás. L… bebeu o restante da cerveja num único gole. Quis beijar P…! Sentiu seu fôlego acariciando sua orelha. “Vai comprar mais cerveja. Deu sorte!”. Dali pra frente dominamos a partida. Impomos nosso ritmo. Mas o time do sertão não é dos piores. P… voltou com outro copo de cerveja. Mal bebeu a primeira golada, Jô toca voltando para Marcos Martins, nosso lateral-direito faz um cálculo rápido que inclui distância, força, velocidade e jeito de chutar e manda a bola certinha pelo alto em direção a Elias. Nosso atacante rapidamente resolve a equação: força x distância x altura x jeito e manda de cabeça tirando do alcance do goleiro. Outro golaço. Como cruza bem esse nosso lateral. E como o garoto Elias não se intimida com nada. É daqueles que não tem vergonha de fazer o que sabe. Já virou xodó da torcida. O primeiro tempo acaba. A massa coral ri a toa. Como diz Naná da Kombi Coral, “a gente tá dominando”. P… e L… fazem uma self e postam no Instagram. “Tu lembra do último jogo no Arruda, contra o Operário? Eu estava com essa mesma camisa”. “Claro que lembro. Só não lembrava da camisa.” E cochichou no ouvido de L…: “me deu o maior tesão agora!”. E deu um beijinho...

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Altos e baixos.
jan30

Altos e baixos.

Altos e baixos e a busca pela regularidade. No início de temporada, o Santinha enfrentou um Treze embalado e não fez feio. O início do Pernambucano foi animador: dava para sentir a euforia e a esperança da torcida. O jogo contra o Flamengo foi sofrido. Como disse antes, temos que dar o desconto daquele famigerado gramado. E aí veio o Bahia e a porca torceu a rabichola. Gerrá, que continua encapelado na vida boa da praia, me mandou algumas observações sobre esse jogo: “A defesa falhou bastante nos gols. O lateral esquerdo deve ter sido pego em um peneirão do Bueirão. O meio de campo é muito burocrático. Allan Dias e Augusto são uma desgraça. O ataque ainda não tem força, mas o menino Elias se salvou. Apesar da qualidade técnica e da diferença de orçamento, nosso time se mostrou arrumado em campo. Silas mostrou que pode ser útil”. Gerrá desceu o sarrafo em nosso guarda metas. Creio que com uma zaga desencontrada é difícil julgar plenamente o goleiro. Ainda acho cedo para um julgamento mais severo. Ontem, contra a famosa zebra do campeonato, o Santinha mandou e desmandou. Uma vitória de 4 x 1 é para ser comemorada, bem como a liderança provisória. Mas até Allan Dias fez o dele. Elias tem meu respeito. Acho que esse menino ainda vai crescer muito. Tem hora que ele fica meio endiabrado em campo e dá gosto de ver. Eis aquela velha garra do Mais Querido. Estava checando a tabela do pernambucano. Salvo engano, creio que só teremos o prazer inenarrável e incomensurável de retornarmos ao Arrudão no Clássico contra o Do Recife no dia 17 de fevereiro. Sabem o que isso significa? Meus amigos e minhas amigas, significa que teremos tomado todas no Pátio de Santa Cruz dia 3 de fevereiro no aniversário do Santa Cruz – ainda mais, vou acompanhar meu amigo Juninho no Marco Zero com o maestro Lessa – e que o fígado estará se preparando para o Carnaval. Eita, na verdade já é Carnaval. Nesse final de semana, estava tomando umas no sítio de meu grande amigo rasta, Jobécio, tricolor coral de sempre. Conheci um delegado lá que é conselheiro do Santinha. Ele me jurou de pés juntos que o gramado já está pronto. Espero que sim, pois ninguém tem mais o saquitel de ir para a casa de caralho ver os jogos. Vamos ver se o jogo contra o ABC, no sábado, não será transferido para o quinto dos infernos no último momento. Está mais do que na hora do time encontrar sua torcida em casa. E encontrar uma regularidade que justifique nossas...

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Esquentando os tamborins.
jan24

Esquentando os tamborins.

Gerrá estava na praia, na vida boa, e me pediu para escrever sobre o jogo do Santinha contra o América. Sama pediu para elogiar o time: “Dá uma instigada na torcida”. Eu estava me preparando para escrever quando li o comentário do amigo Flávio Tricolor de Gravatá. Disse tudo o que eu queria escrever – ipsis litteri. Flávio escreveu: “A impressão foi muito boa da partida de ontem, a equipe se mostrou arrumada taticamente, ainda precisa melhorar é claro, mas me deixou animado. Ainda precisamos de reforços, principalmente para meia, hoje foi anunciado Patrick Vieira, espero que ajude apesar dos problemas com sucessivas lesões que sofreu nos últimos três anos. Não poderia deixar de elogiar três jogadores; o lateral direito Marcos Martins, mostrando que existe vida além de Vítor, bom no apoio e ótimo na marcação, o zagueiro Vitão, jogando bonito quando era para jogar bonito e dando chutão, quando era para dar chutão, além dos gols marcados, destaque para o primeiro que foi sensacional e por último elogiar o garoto Elias, pela personalidade e pelo gol de gente grande”. Disse tudo. Mas ontem, o jogo contra o Flamengo foi truncado, feioso mesmo. Dois gols de pênalti. Só assim para Augusto fazer alguma coisa. Mas não dá para deixar de comentar o péssimo estado do gramado. A bola parecia quadrada. O resultado não foi de todo mau. O Flamengo veio de uma grande vitória contra o Do Recife e jogar fora de casa tem lá o seu peso. Estou confiante no modo como Leston Júnior está montando nosso time. O teste de fogo, o jogo em que veremos o alcance dessa equipe será, para esse início de temporada, no sábado contra o Bahia. Agora o negócio é outro, camaradas. Esquentem os tamborins que a parada é dura. Além do mais, a torcida tricolor coral está ansiosa para retornar ao Arruda. Iniciaram o esquema de vendas de ingressos. Eu já estava pensando comigo como sempre faço: rever os amigos, tomar umas em Abílio e comer o melhor cachorro-quente do mundo. Porém, meu amigo Juninho me mandou uma mensagem no zap que é desanimadora. É bem possível que o jogo seja transferido para a Arena. Esse esquema é velho e fode a torcida. Possivelmente o gramado não está pronto porra nenhuma. Mas acredito que é preciso transparência por parte da presidência e da diretoria para informar aos torcedores onde realmente será o jogo. Vender ingressos como se fosse para o Arruda e levar a galera para a Arena é sacanagem. Já estão negociando para que o jogo contra o Afogados seja também na Arena. Haja paciência. Saudades do Arrudão. Tricolor coral...

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Que comecem os jogos.
jan19

Que comecem os jogos.

Dizem as más línguas que alguns olheiros da Nova Zelândia – de um grande time de Auckland – entraram em contanto com o Santinha para levarem Héricles para a Oceania. Meu velho, que danado de falta foi aquela contra o Botafogo/PB? Bastou elogiar o cara no post anterior e deu essa lambança. Mas sigamos. O sábado foi de tirar muita onda com os torcedores do Do Recife e do Capibaribe. Flamengo e Central mandaram bem. Melhor início de campeonato só mesmo com nossa vitória nesse domingo contra o América. Estou desolado. Esse jogo na arena é de lascar. Tudo bem, o estádio é massa, as instalações são de primeira, mas chegar e sair de lá são outros quinhentos. É teste de paciência. Uma pena. Estou ansioso para retornar ao Arruda. Gerrá está na praia, na vida boa. E Sama não poderá se deslocar aos confins do planeta. Possivelmente irei me encontrar com o incansável Juninho – um dos tricolores corais mais verdadeiro que conheço. No jogo contra o Botafogo/PB, nosso goleiro foi bem. A zaga é bem diferente daquele desastre do ano passado. Ainda sentindo falta de Pipico nesse time. No Twitter, Leston Júnior mostra que está muito consciente de seu time. Estou otimista com esse nosso treinador. Espero que o fantasma dos salários atrasados não se torne nossa maldição. E também espero que o time se acerte mais e encontre sua personalidade. É extremamente importante não vacilar nesse domingo e trazer uma vitória. A notícia mais recente foi a contratação de Guilherme Laranja, digo, Guilherme Queiroz. O Laranja, digo, o atacante veio do Juventude e já está treinando com o elenco. O negócio agora é torcer para que o gramado do Arruda seja logo reformado e que possamos retornar à nossa casa. Teremos, em 2019, finalmente, um placar eletrônico. Já escrevi sobre isso aqui. Muito feliz com essa notícia. E nosso CT está na eminência de se tornar uma realidade. Bem, hora de preparar o fígado para essa maratona que é o Campeonato Pernambucano. Hora de rever os amigos, tomar todas em Abílio, comer o melhor cachorro-quente do mundo e sonhar com conquistas nesse ano que se inicia. Acho que me arretei. Hoje estou otimista que só a porra. Avante, Santinha. Que comecem os...

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A fé é preta-branca-vermelha
jan14

A fé é preta-branca-vermelha

Parece que faz um ano que estamos sem ver o Santa jogar. Este calendário da sericê é cruel. Deixa um vazio danado. Mas para alegria da torcida mais apaixonado do Brasil, terça-feira começa nossa temporada. Jogaremos em João Pessoa pela Copa do Nordeste.A gente vai encontrando os tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda e as perguntas se repetem.“E aí, tás acreditando?”“E esse ano, será que a gente chega?”“E fulano?”. “E sicrano?”. “E beltrano?”Peito de Pombo me perguntou o que eu estava achando dos contratados.Diante de tantas idas e vindas e de toda a minha quilometragem rodada acompanhando e torcendo, a esperança já não é mais da mesma cor de antes. Eu já nem ligo muito para as contratações.Mas não disse isto a ele, pra não cortar o seu barato. Tirei uma onda. “Rapaz, trouxeram um atacante aí que faz uns doze anos que não faz gol”. Peito disse: “vai fazer pelo Santa Cruz. A gente sempre ressuscita esses jogadores”.Acho massa essa fé.Minha filha menor disse que tava com saudades do Arruda. Me perguntou: “papai, Ricardo Ernesto ainda tá no Santa?”. Respondi que sim. Ela ficou super animada. “Ele é muito bom. É muito melhor do que aquele Gordinho! ” Deu uma pausa e continuou: “Ri-car-do Er-nes-to! Que nome! Queria tirar uma foto com ele”.Contei para ela que finalmente, vamos ter um placar eletrônico no Arruda. Ela não faz ideia do que seja. Não só ela. Ela e tantas outras crianças que frequentam o Arruda não fazem ideia do que seja um placar eletrônico.“Como assim, um placar eletrônico?”.Fui procurando formas de explicar àquela cabecinha o que era um placar eletrônico. Um painel luminoso. Bem grande. Que informa quanto está o jogo. Nele aparece o nome dos jogadores. O nome de quem fez o gol.“Aparece o nome do goleiro?”.“Aparece. Do goleiro, do zagueiro, do atacante, de todo mundo. As vezes aparece até a foto.”“uh-hu! Vai ser massa! Eu queria ver a foto de Pipico, tu queria ver a de quem, papai?”“Hum…. peraí! Queria ver…, já sei. Sabe o que eu queria ver?”“O que?”“Queria ver o placar piscando a palavra Gooollllll e mostrando a foto de Jô. E no final da sericê, eu quero ver escrito no placar: Santa Cruz, bicampeão da Serie C”.“Aê, papai!”, ela chegou batendo.E eu pensei, “a fé é...

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