O homem de 1,9 milhão de reais.
abr11

O homem de 1,9 milhão de reais.

Futebol é apaixonante porque, assim como a existência, é dialético. Tudo muda, nada é perene, apenas a paixão pelo time do coração. E quando o assunto é Santa Cruz – em essência um clube de paixão desde o nascimento – a coisa fica louca. Todo tricolor coral estava emputecido até à alma com aquela vergonhosa derrota contra o Afogados. Perder três pênaltis é foda. Mas logo em seguida vem um jogo teste para cardíaco. Quem não sentiu um calafrio na espinha quando Anderson entrou na área do CRB nos momentos finais do jogo? Quem não pensou: “Puta que pariu, nos fudemos. Acabou”. Aí vem o gol nos minutos finais e uma disputa ensandecida de pênaltis. Não foi diferente com o péssimo jogo contra o ABC lá. Na verdade, que dois times ruins da porra. Contudo, tratava-se de um jogo de 180 minutos e nada estava decidido. E a decisão foi aqui, no Mundão do Arruda. O jogo de ontem corrobora a minha premissa maior acima exposta. O torcedor do Santinha estava confiante desconfiando. Anunciaram o retorno de Danny Morais na resenha, mas o jogador foi poupado. A esperança é que a bola chegasse em Pipico e o atacante voltasse a marcar. E não foi isso o que aconteceu? Marcos Martins, em uma cobrança primorosa, levantou a bola na área e Pipico se antecipou ao zagueiro e fez um golaço de cabeça. O Arruda fervilhou. Ainda no primeiro tempo, Ítalo Henrique rouba a bola do ataque do ABC e faz um lançamento lindo, digno de Champions League. Pipico passa pelo último homem da zaga, Henrique – que tinha acabado de entrar  e que deveria ter levado vermelho pela falta– e é derrubado antes de ficar na cara do gol. Aí o negócio virou pintura. Charles bate a falta com força, numa trivela digna de Nelinho, faz um golaço e o Arruda, sem acreditar no que via, explode de alegria. Mas não parou por aí. O homem de 1,9 milhão de reais – Pipico, o nosso ciborgue Steve Austin – recebe o passe de Allan Dias na grande área, é novamente marcado por Henrique, dá um senhor drible no marcador que mete a mão na bola e é pênalti. Uma questão: se esse puto já tinha um amarelo, por que não foi expulso ao meter a mão na bola na área? Pipico foi lá e meteu 3×0 no fraquíssimo ABC. Pipico, o nome de 1,9 milhão de reais. Foda-se se o time do ABC é muito ruim. Jogamos feito time grande. Evidente que não sou doido de achar que tudo se resolveu, tem muita coisa para ser corrigida ainda. Mas que...

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Sopa de letrinhas de ruindade.
abr03

Sopa de letrinhas de ruindade.

Copa do Brasil e Copa do Nordeste: uma verdadeira sopa de letrinhas: ABC e CRB. Mas a verdade seja dita: a ruindade desse time do Santinha está assustando. Alguns torcedores já levantaram a lebre: salários atrasados? Estou pesquisando com algumas fontes dentro do Arruda. Não é possível que a causa de tanta decadência seja novamente isso. Mas nesse jogo contra o ABC tive um susto quanto Leston “filósofo de araque das redes sociais” Júnior decidiu colocar Jô “o pior jogador de todos os tempos” em campo. “Puta que pariu, pensei, estamos fudidos demais”. Qual foi o esquema tático mesmo? Não atacar e esperar apenas? Deixar o lento e fraquíssimo ABC ditar o “ritmo” do “jogo”. Caralho, coloco tantas aspas porque a dimensão de realidade desse jogo é algo surpreendente: a essência da ruindade de nosso time – e também do ABC – demonstram que o menos ruim iria se dar bem. Alguém aí tem uma frase exemplar para a lambança de Augusto na frente do gol e com o goleiro já vencido? Ou uma frase ainda mais exemplar para expressar a grossura absurda de Allan Dias na frente do gol e mandando a bola pra a puta que o pariu? Ou uma frase de raiva para explicar a estupidez desmedida de Jô no gol que sofremos? E que porra de gol válido foi aquele que foi anulado? Puta que pariu, alguém tem uma explicação minimamente racional? A zaga até que se esforçou. O meio de campo é de uma falta de domínio dos fundamentos básicos do futebol que assusta. Será que “nosso” presidente consegue explicar tanta falta de talento? A sopa de letrinhas segue nesse sábado no horário perverso das 20 horas. Mas estaremos lá. Torcedor é um bicho doente mesmo. Creio que todo torcedor antenado está acompanhado nas resenhas o debate sobre a escassez de torcedores em campo e os prejuízos que os times daqui estão tendo nos jogos: borderô, FPF, impostos, comissões, funcionários, energia etc. É muita grana para fazer um jogo acontecer. É preciso repensar, e logo, essa dimensão de nosso futebol. No jogo contra o CRB, o ingresso mais barato, da arquibancada superior, custa R$ 15,00. Pode parecer pouco, mas para quem ganha um salário mínimo, não é. Alguém esqueceu a média de público durante a promoção “Todos com a nota”? E tem coisa mais brochante do que ir a campo sabendo que seu time está jogando uma merda e que Jô pode entrar a qualquer momento? Minha ressalva vai para nosso excelente goleiro Anderson. Jogou demais nessa partida de hoje. Mas até quando ele ficará no Arruda? Realmente, não sei. Bem, sábado é dia...

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Santa sorte.
mar25

Santa sorte.

Creio não errar nem um pouco ao afirmar que o único jogador do Santa Cruz que se salvou no jogo contra o Ceará foi o nosso goleiro. Demonstrou personalidade, fez defesas incríveis, bem posicionado e regular a partida toda. Já o time… foi triste. O primeiro tempo foi enganador. O gol de Bruno Ré parecia profético: o time viria de ré no segundo tempo. Na verdade, o primeiro tempo foi sintomático de um time bastante limitado e que vem de uma maratona excessiva de jogos. O departamento médico está trabalhando feito louco. Leston tem que se virar para tirar leite de pedra. Meu amigo Juninho me passou uma mensagem no zap soltando impropérios contra Cesinha. Concordei com cada palavra. Aquela queda no drible que teve como sequência o gol foi de emputecer qualquer tricolor coral. Esse caba não pode ser chamado de jogador profissional por ninguém que seja minimamente sério. Triste demais. O segundo tempo… aí foi só pressão. E a pressão do torcedor deve ter ido para a puta que pariu, principalmente com aquele golzinho fuleiro no final do segundo tempo que foi um soco no estômago. Mas não é que a despeito de todas essas ruindades a cobrinha continua firme e forte?! Nem precisa se preocupar com o jogo contra o Confiança, pois já estamos classificados com antecedência. O Vitória pode até chegar aos 9 pontos na próxima rodada, mas terá vitórias a menos, o que garante nossa classificação. Vai entender essa tal de lógica futebolística ou essa sorte que nos acompanha nesse semestre. Por fim, quanto a esse jogo, nunca é demais lembrar e ter consciência do abismo que separa as duas equipes. Nos próximos jogos, parece fundamental torcer para que os jogadores que estão no departamento médico possam retornar, como é o caso de Pipico e Marcos Martins. Diante de nossas deficiências, contar com a sorte – ou melhor, ser um pouco otimista – não faz mal nenhum, mas sempre ciente que temos muito o que fazer para melhorar para a séricê. O bom dessa santa sorte é que o dinheiro está entrando e não tem desculpa nenhuma que a diretoria possa dar para atrasar o salário dos jogadores. O que já é um ponto positivo diante de nossa história recente. Para quem acredita, pega o patuá, o pé de coelho, a ferradura, a camisa da sorte etc. De minha parte, acredito em trabalho, planejamento, racionalidade administrativa, coerência, visão da realidade e inteligência...

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De dar calo na vista.
mar18

De dar calo na vista.

De dar calo na vista. O jogo desse domingo do Santinha contra as barbies foi de dar calo na vista e irritação nervosa. O time do Santa Cruz vem em uma clara queda de produção. Tivemos dois resultados terríveis no Pernambucano e esse empate agora. Como bem disse o amigo Anselmo no post anterior: “[…] até elogio o que esse grupo conseguiu até agora. Isso porque vivemos um paradoxo. Precisamos de competições para arrecadar e ter um financeiro melhor. Mas precisamos de tempo para treinar e conseguir jogar melhor. É uma situação difícil.” O paradoxo é bem complexo mesmo. É preciso mais do que urgentemente contratar um meio de campo que saiba criar, se posicionar e tocar a bola. É assustador ver o maltrato que Lucas Gonçalves, Ítalo Henrique e Diego Lorenzi fazem com a bola e com o futebol em si. Creio que todos se lembram como a torcida e a imprensa estava incensando o jovem Elias. Eu mesmo o tinha como uma grande revelação e de um futuro promissor. Escuto as mais diversas explicações entre os torcedores e a mídia para sua queda de qualidade: está empolgado demais com os elogios e acha que joga sozinho, está usando máscara para ir para outro clube, está com medo de se lesionar etc. Difícil saber o que se passa na cabeça de jogador. Lembro-me bem do caso de Rosembrik. Tinha tudo para ser um grande jogador, mas as más línguas diziam que a marvarda da cachaça enterrou o seu talento e disposição. Espero que esse não seja o futuro do jovem Elias. Quem viu o jogo contra as barbies viu um jovem tímido e sem garra, bem como um meio de campo atabalhoado, um time que só jogava reativamente, levando muita pressão e sentindo, de maneira nítida, a falta de Danny Morais, Martins e Allan Dias. E quem diabos acredita no futebol desse Guilherme ou que Augusto ainda pode melhorar? Ser realista – para além do otimismo – dá nisso. Perceberam, também, como parece que a FPF está levantando a bola, digo, a tabela dos jogos a favor do Do Recife? Foi o time que menos viajou para além da RMR. Coincidência? Pelas bandas daqui, Leston saiu em defesa de seu elenco, o que é normal. Mas não tem como fazer vista grossa à franca decadência do futebol desse time. Algo tem que ser corrigido rapidamente, pois é muito jogo atrás do outro. Creio não errar quando penso que esse Clássico das Emoções foi um dos mais sem emoção de todos os tempos. Valeu mesmo foi a faixa da torcida da barbie perguntando sobre o assassinato de Marielle Franco....

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Formando mais um coração coral.
mar12

Formando mais um coração coral.

Após dois péssimos resultados – na verdade, duas derrotas vergonhosas contra o Vitória e o Salgueiro –  o Santinha conseguiu arrancar um empate salutar com o CSA. A bela cobrança de falta de Pipico nos garantiu a liderança na Copa do Nordeste. Nessa quinta, no Arruda, o time precisa se reencontrar no Pernambucano e sair com uma vitória contra o Central. Vou levar falta: estarei em aula na UFRPE. Uma pena. Esse jogo da quinta me fez pensar na minha neta, Liz, de um ano e meio. Esperando a oportunidade certa para leva-la ao Arruda. A peregrinação ao Mundão é uma coisa que tenho como quase sagrada, um ato de devoção. Minha família é cheia de hereges. Minha esposa e minha filhas são barbies assumidas. Meu genro torce pelo Do Recife. Todo jogo, quando assistimos alguma partida aqui em casa, é uma greia só. Regado a muita cerveja, tira-gosto e gritos de alegria, xingamento ou tristeza, a polaridade é a tônica dos jogos televisivos. Mas, em meio a esse mar de heresia, surgiu uma grande esperança: minha neta. Evidente que a presença do avô, no que se refere a futebol e ao Santa Cruz, é constante. Tem que se educar as crianças desde o berço. Minha neta é de uma alegria ímpar. Simpática por natureza e trelosa como qualquer criança saudável. Faz um tempo que coloco a camisa do Mais Querido nela, canto o hino do Santinha, mostro gols no Youtube,  músicas do time e desenhos de nossa mascote. Minha neta, toda vez que me vê com a camisa do Santinha, abre um imenso sorriso, fica batendo palmas e repetindo “cruis… cruis…” que, evidentemente, significa Santa Cruz. Meu genro está enlouquecendo. Todas as suas tentativas de corromper minha neta foram devidamente rechaçadas. A alegria dela quando ver o escudo do Santa – ou até mesmo quando mostro minha carteirinha de sócio – é comovente. Pense na coisa mais linda do mundo. E quando ela dança quando canto o nosso hino é melhor ainda. Já disse lá em casa: “O presente de Liz de dois anos vai ser assistir a um jogo do Santinha no Arruda”. A choradeira é geral. Mas não adianta. Está em formação mais um novo coração tricolor coral santacruzense com todo orgulho e toda raça. Não vejo a hora em que esse dia de leva-la ao Arruda chegue. Vai ser emoção demais. Vou, com certeza, me lembrar de meu pai e de minha infância. Se ele estivesse vivo, estaria todo orgulhoso. Fico pensando na cena: bola na área, Pipico corta o zagueiro, puxa para cima do goleiro e manda a bola para as redes. A torcida,...

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