Eu gosto mesmo é do Santa Cruz
ago18

Eu gosto mesmo é do Santa Cruz

Não vejo a hora dessas olimpíadas acabarem. Pra mim já deu. Vi algumas boas disputas. Mas confesso que não sou muito chegado a esta enxurrada de esportes de uma vez só. Na verdade, gosto de poucas modalidades esportivas. Com apenas oito minutos de handebol, atestei para mim que não vejo graça naquele  esporte. Uns dribles que não tem beleza, gol que não acaba mais, um lá e cá que causa tédio. Enfim, uma chatice. Por acaso, zapeei a TV e estava passando uma disputa por medalha de bronze no tênis de mesa. Era um japonês jogando contra um galego, cuja nacionalidade eu não me recordo. Pelo que vi, no tênis de mesa olímpico, parece que é proibido o cabra jogar com malícia. Se o atleta tiver a categoria para fazer um ponto numa casquinha, pede desculpa ao adversário. Me lembrei da minha adolescência. Teve uma época que praticamente todos os dias, a gente jogava ping-pong. Eu estudava de manhã, fazia as tarefas depois do almoço, no final da tarde batia uma peladinha na rua e, depois de jantar, a gente jogava ping-pong no terraço da casa de Mazinho, filho de Seu Itamar! No nosso ping-pong o golaço era a casquinha. Esperando a decisão do boxe, assisti à uma disputa de levantamento de peso. É cada careta invocada que os caras fazem para levantar aquelas barras com não sei quantos quilos. Eu não teria a menor condição de ser torcedor de um troço desse. Quando o cabra não conseguisse levantar o peso, chamaria ele de fraco, mole, filho disso, filho daquilo. Não me animo para ver nenhum tipo de ginástica. Não sei a razão, mas fico torcendo para ver algum atleta levando um baque. Daí, em respeito aos ginastas, prefiro não assistir. A depender do jogo, o vôlei e o basquete me fazem ligar a televisão, abrir uma cerveja e ficar curtindo a partida. A bronca é que se começar a perder, eu fico logo invocado e desligo a TV. A não ser que seja vôlei de praia feminino. Pode estar ganhando ou perdendo. Pode ser do Brasil ou outra nacionalidade. O voleibol de praia feminino, eu vejo até o final. Outro esporte legal é o polo-aquático. Não entendo absolutamente nada de judô. Muito menos de esgrima. O futebol feminino não me encanta. Acho apenas bonzinho. Mas, pra mim, Formiga era titular absoluta na nossa cabeça de área, Fabiana na lateral direita e Marta no meio-campo. Enfim….  depois de ver algumas coisas das olimpíadas, eu tenho plena certeza que gosto mesmo é de futebol. Melhor ainda, se for do Santa Cruz. E de preferência, no mundão do...

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Jogo, salário, suor, lágrimas e esperança
ago16

Jogo, salário, suor, lágrimas e esperança

Texto de Zeca, o filósofo-metaleiro da Boa Vista O torcedor entra em campo no meio da partida. Seu semblante é de desespero. Ele corre em direção ao artilheiro Rob Gol. Ajoelha-se diante de seu ídolo, chora e diz: “Porra, Rob Gol. Não podemos cair, meu amigo. Temos que fazer alguma coisa!”. Ainda me lembro como se fosse hoje dessa cena tão triste. E, pior, fiquei pensando nos jogadores que participaram, em diversos anos, da queda assombrosa em direção à Série D: Jorge Henrique, Carlinhos Bala, Kuki, Carlinhos Paraíba, Rosembrick e Sandro. O boato que sempre rondou esses rebaixamentos era que os salários estavam atrasados. Lembro-me como se fosse hoje de meu pai esbravejando para todos os lados: “Ora porra, mas como um time vai jogar decentemente se não pagam os salários dos jogadores? Jogador não é torcedor, não!”. Recentemente, ouvi o mesmo boato de alguns conhecidos que trabalham dentro do Santa Cruz. Meu amigo Samarone não comenta o caso – princípio ético, é claro. Mas desde o início da queda do rendimento de nosso time querido na Série A que fiquei com essa impressão. Será que é verdade que só quem recebe em dia é Grafite? Será que os salários estão realmente dois meses atrasados? Será que a imprensa não sabe ou faz vista grossa para  o caso? A cota da TV será a nossa salvação? Muitas questões e poucas respostas. Neste domingo, o Santinha até que conseguiu se safar de um resultado ruim. Vencer o Vitória lá dentro não é tarefa fácil. E o empate foi um bom resultado. Estamos rezando a todos os deuses que Doriva faça um trabalho de recuperação deste time. Mas é inegável que ninguém joga bola com salário atrasado. Meu pai estava muito certo. Jogador é um profissional. Como qualquer profissional, ele precisa receber para executar bem sua tarefa. Imagina se a moda pega: o profissional tem que dar o sangue, mesmo sem receber. Assim não dá. Espero que a situação seja estabilizada e que possamos voltar a mostrar aquele futebol contra o Cruzeiro no primeiro jogo, contra o Inter e o Grêmio. De outra forma, meus amigos, iremos entrar em campo no meio da partida, o semblante desesperado e iremos nos ajoelhar diante de Grafite dizendo: “Puta merda, meu velho. Vamos realmente voltar para a Série B?”. Espero que a resposta seja um sonoro...

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Adeus Milton
ago10

Adeus Milton

“Graças a Deus ele se foi. Olhe, já vi muita gente doida nesse mundo de meu Deus, mas essa peste desse Milton Mendes era foda e graças a Deus se foi. Cheguei a conclusão que sou preconceituoso e assumo. A primeira vez que percebi isso foi quando fui ver um Negão bluseiro americano no Marco Zero, anos atrás. Pense num som ducarai. Ai ele pára o show e convida uma mulher para cantar. Foi meia hora de elogios a ela. Imaginei aquelas bluseiras fuderosas. Mas quem me vem?  Uma brasileira magrinha, mais branca que leite, com cara de pagodeira ou cantora de Axé. Fiquei puto e ia sair até a mulher pegar o microfone e soltar a voz. Puta Que Pariu que voz. Percebi ai meu preconceito de cor. A segunda vez foi quando o Santa anunciou Milton Mendes pro time do Povo. Puta Que Pariu De Novo! Um técnico de paletó no gramado? No time do povo? Não poderia dar certo nunca. Tenho preconceito sim com quem usa paletó no gramado. Pronto falei. E foda-se também quem gosta do futebol certinho da Europa. Quem gostar vá pra lá. Futebol é garra, sangue e suor. É a possibilidade do imponderável. Por favor, direção do santinha, quero um Técnico que saiba que meia joga na meia, que time não joga sem zagueiro, que lugar de goleiro é no gol.” – Odilon Lima. “Como um passageiro clandestino em uma nau sem timoneiro. Era assim que eu vinha me sentindo desde aquele fatídico jogo contra a macaca, quando perdemos, em casa, por 0 x 3 e terminamos com cinco atacantes e sem nenhum zagueiro em campo. Hoje, com a saída de Milton Mendes, a sensação que tenho é a de que a tripulação, finalmente, percebeu que não tinha ninguém no leme e o barco estava à deriva. Acordou. Eu, clandestino, escondido, suspiro aliviado. Ao menos, agora alguém vai assumir a direção. O próximo timoneiro nem precisa ser formado em navegação nas terras do além mar. Basta que segure o leme com firmeza e nos conduza à margem com segurança.” – Alexandre Amorim de Vitória da Conquista. “Eu acho que a ingratidão no futebol não vai acabar nunca. E esse cultura de se demitir técnico, ainda vai demorar muito a deixar de ser um costume aqui no Brasil. Milton Mendes nos deu dois títulos que ninguém esperava. Um deles inédito. Depois, entregaram a ele um elenco fraco, onde ele tirou leite de pedra. Acho que a diretoria não teve força para suportar a pressão da torcida e demitiu injustamente o nosso treinador. E agora, trazer quem? Discordo totalmente com a saída de Milton....

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Eu fosse a diretoria, dava uma de doido
ago09

Eu fosse a diretoria, dava uma de doido

Fui criado convivendo com doidos. Doidos de grau 1, grau 2, grau 3, grau 4 e por aí vai. Um deles, adorava futebol e venerava a polícia. Torcia pela cachorra de peruca, gostava do Santa Cruz  e odiava a barbie. Vez por outra chegava lá em casa pra tomar sopa ou comer cuscuz. Ele pensava que era policial. Vestia um paletó surrado e tirava onda de Delegado de Polícia. Era raparigueiro e frequentava igreja protestante. Pense numa lapa de doido. Outro que lembro, era de uma família tricolor. Esse nem falar direito, falava. Magro, feio pra caramba, tinha na mente que era guarda de transito. Quando a gente largava do colégio e voltava para casa, ele tava na faixa de pedestre esperando o sinal fechar. Ficava no meio da rua, dava uns apitos e abria os braços. Aos domingos, o louco estava na missa. No segundo grau, tinha um na minha sala que andava com um punhal na bolsa. O bicho falava gesticulando e dando banho de cuspe em quem estivesse por perto. O cara era gente fina, mas não tinha um pingo de juízo. Apesar de ter o físico de um esqueleto, ele tinha certeza que era halterofilista. Vivia dizendo que treinava numa academia. Botamos o apelido dele de João Halteres. Um primo meu, doido de jogar pedra, teve que fugir para São Paulo. Entrou escondido na casa da namorada e foi pego dentro de guarda-roupas, pelo pai da garota. Saiu nas carreiras. Foi jurado de morte. Lá no interior, o apelido dele era Assessor. Meu primo só vivia colado nos políticos. E ele incorporava a função. Era comum sai pelas cidades dos arredores, chegar nas festas e dizer que era Assessor de Dr. Fulano de Tal. Havia também Túlio. Tulio Maravilha. Esse era figura. Quem não conhecia ele, jurava e apostava que o bicho era jogador de futebol. De trancelim no pescoço e porte físico atlético, Túlio tinha todo o gingado de jogador de futebol. O andar, o gosto musical e a raparigagem. Só era meio surdo e falava de forma estranha. Certa vez, levei Túlio pra uma pelada. Avisei pra ele que não garantia que tivesse vaga, afinal Túlio era pior do que o lateral-direito Mário Sérgio e bem mais ruim do que o lateral-esquerdo Roberto. Mas ele não se intimidou. Chegou lá, foi logo botando o material. Caneleira, meião e chuteira de marca. Não percebi e a turma tirou o time escalando Túlio Maravilha na primeira pelada. A gréia foi grande e teve gente que ficou invocada comigo, achando que eu tinha feito sacanagem. Toda vez que olho pra Milton Meme, me lembro dos vários...

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A menina, o pai e o Santa Cruz
ago08

A menina, o pai e o Santa Cruz

A menina entrou em casa ansiosa para assistir uma dessas séries feitas para alienar pré-adolescentes. O pai assistia ao jogo do Brasil. — Aff, – ela reclamou – todas as televisões estão ligadas nesse jogo! — Oxente, minha filha, você não gosta de futebol? — Gosto de jogar futebol e de ver jogo do Santa Cruz. — Vá lá pro quarto, então! — Já fui. Mas mamãe tá lá, vendo esse jogo! – falou e fez cara de abusada. Ficou ali, ao lado do pai. A cada jogada errada, a garota debochava. O pai adorava as cornetadas da menina. Lá pras tantas, Neymar erra um chute, chuta o chão e cai. — Ah, que lindo! – ela rir sarcasticamente. — Tu não gosta de Neymar? – ele pergunta. — Eu não! Todo metido e não faz nada. Gosto não! — Putz, como o tempo passa rápido. Era uma pirralha. Hoje tá aqui, vendo o jogo comigo, falando de futebol, reclamando, cornetando como deve ser todo torcedor. E eu, que não tive filho menino, achava que não iria ter esse prazer. Caralho, isso é lindo! – ele pensou. Hoje, por um acaso, eles assistiram ao jogo nas cadeiras, juntinhos, sem a companhia de ninguém conhecido. A mãe e a outra irmã, ficaram um pouco afastadas, na fila da frente. Hoje não tinha outros amiguinho para encher o saco pedindo brebotes, nem ninguém para puxar conversa. Eram só os dois. Ela, concentrada no jogo. Não pediu nem pipoca. Ele, na angustia para sair da zona. — Papai, essa bola foi tiro de meta? — Foi! — Como assim? O goleiro bateu de fora da pequena área… — É. Foi não. Foi impedimento! O jogo segue. O Santa Cruz é pior do que o time dos Trapalhões. Jadson perdido em campo, faz lembrar Bolaños. João Paulo quase entrega a rapadura. O São Paulo toma conta da partida e a torcida mais apaixonada do Brasil começa a ficar impaciente. Do lado deles, um rapaz xinga Jadson. — Realmente papai, esse 7 não está jogando nada. — É minha filha. E parece que só o burro do treinador não está vendo. E eis que o 7 dá um passe errado, o adversário rouba a bola, o São Paulo vai lá e a gente leva um gol. Naquele instante, todos quiseram matar Jadson. Outros também quiseram degolar o treinador. O pai ligou sua metralhadora. — Treinador filho da puta. Vai tomar no teu cu. Burro. Cego. Filho da puta! — Papai, não tou te entendendo. Quem errou foi esse 7. O bicho é muito ruim, viu! — Filha, desde o começo que o 7 vem...

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