E assim, vamos chutando pedrinhas
out16

E assim, vamos chutando pedrinhas

Dois textos que li, resumem tudo que eu iria escrever. Um deles está no meio dos comentários da postagem de Zeca: Futebol, política e Arte. Quando Geraldo Mesquita diz que “desde a Era Cabeção a gente ouve falar em mudanças. Ao final de cada gestão, a gente ver que nada mudou”, ele parece que leu meu pensamento. Eu estava lembrando de quando juntamos cerca de 30 tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda, arregaçamos as mangas e fomos voluntariamente trabalhar no clube. A ideia era elaborar um projeto administrativo para o Santa Cruz. Nos dividimos em vários grupos: administrativo(contadores, administradores de empresa, auditores, entre outros profissionais), jurídico (advogados), patrimonial (engenheiro civil e arquitetos) e outra áreas que não lembro bem, afinal isso já faz uns dezoito anos que aconteceu. Sonhadores, nos deslumbramos em estar contribuindo para modernizar o nosso amado Clube, o mais querido de todos, o nosso Santa Cruz. Passamos meses lá dentro. Produzimos alguns relatórios. Mas esbarramos em forças ocultas que não queria mudança. Fomos cansando e, do nosso trabalho, restou apenas algumas amizades. Certa vez, fui levado para uma reunião de diretoria. Eu havia feito parte do grupo que apoiou a turma que foi eleita. Ao final, o então presidente, pegou um bocado de ingresso e fez todo mundo comprar alguns lotes. Não comprei nenhum e nunca mais participei de outra reunião. Nessa mesma época, uma turma boa que conheço se encontrava todos os sábados no Arruda para elaborar um planejamento estratégico para o Clube. Tudo de forma voluntária. Ao final tudo foi engavetado. Ali é assim. Engana-se aqueles que acham que as portas estão abertas para quem quiser ajudar a mudar o Santa Cruz. Só é bem recebido, os que colaboram comprando rifas, dando  cesta básica, comprando um livro, um bolo ou um caminhão de areia. E tem que contribuir e ficar de olhos fechados para o que há de errado nos corredores das Repúblicas Independentes do Arruda. O outro texto é de Pedro Costa e foi publicado no Arrudiando (ESPN FC). O título diz: Santa Cruz sucumbiu à sua eterna bagunça: só um milagre salva o Tricolor. No texto, Pedro Costa vai pontuando os eternos atrasos de salários, o abandono do clube por parte da diretoria, dos jogadores que vieram e que não chegaram (Bileu, Walber, Alex Travassos, Pachu e outro que não lembro). Fico aqui pensando qual foi a lógica usada para se trazer tanto jogador ruim. Trouxeram até jogador que enfrentava sério problema de saúde na família e que não tinha a menor condição de jogar bola. Como diz um amigo meu (que é tão Santa Cruz quanto todos que acompanham este...

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Futebol, política e arte.
out15

Futebol, política e arte.

Assisti ao jogo do Santinha contra o Figueira na casa de Juninho. Ridoval, Jorge, Big e Júlio estavam lá para animar a conversa. Pense numa galera de primeira. Veridiana, a esposa de Juninho, foi tão atenciosa e carinhosa com tudo e todos que era impossível não se sentir em casa. Tudo de primeira, exceto o jogo. O nosso ataque é AM: ataque morto. Nosso meio de campo é ISCC: incompetente sem criatividade crônica. Nossa zaga é VS: vacilo sempre. Zé Love fez o primeiro gol no meio de cinco corais. E nosso técnico é B de burro mesmo. Puta que pariu, que demora para substituir Grafite (vire técnico ou diretor, por favor) e André Luís (vá comprar uma caixa de Biotônico Fontoura, meu filho). Yuri é uma desgraça e Nininho, mais uma vez, entregou o ouro ao bandido. O jogo mostrou nossa apatia, nossas fraquezas, nossos problemas crônicos. Jorge, que sempre é alegre, estava morgado depois da derrota. Nem as suas célebres loas ele teve inspiração para entoar. “Juninho vai apoiar Albertino, disse Ridoval depois do jogo, mas quero ver primeiro a plataforma política dele e dos outros para decidir meu voto”. Muito justo. A inteligência de Ridoval sempre antagoniza com Juninho e isso torna o debate sempre legal. E essa ideia é tão boa que assim que tivermos acesso às plataformas dos futuros candidatos à presidência do Santinha, iremos postar aqui. Democracia se faz com transparência. Da minha parte, creio que se não houver mudanças estruturais radicais e os cardeais das antigas não largarem o osso, estamos fudidos e mal pagos. E é preciso profissionalizar todos os setores do clube, em especial o financeiro e a diretoria de futebol. Basta desta gestão da década de 70. Assim que o jogo acabou, começou o debate sobre nossa atual situação. Juninho lembrou de nosso antigo professor de matemática, Agostinho Meireles: “Ainda há esperança. Pense na estatística como Agostinho. Basta ganhar todas em casa”. Por esse otimismo eu não esperava. E nem Ridoval. Ficamos debatendo. Nosso returno está uma desgraça. Estamos assombrosamente próximos da séricê e isso, meus amigos, desanima qualquer um. Não temos mais o que mudar – só tem tu, vai tu mesmo. Está complicado. Desistimos de falar sobre futebol e política do clube e fomos à audição: blues, jazz e o mais fino da nossa MPB – tudo de primeira qualidade. Foi tão legal que até esqueci que estamos à beira do abismo. Acordei hoje de ressaca e consciente, novamente, de nossa situação crítica. De volta à realidade. Alguma sugestão...

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É rezar e beber
out13

É rezar e beber

Desde o último jogo, a derrota para o América de Minas, algo como um “já vi isso” vem passando na minha mente. Clube abandonado, jogadores pedindo para ir embora, salários atrasados e a torcida sem esperança. Quem ainda tiver uma dose de otimismo, por favor bote num copo e me dê uma lapada. Do jeito que tá, o certo é tomar uma para se animar e se agarrar a tudo que a fé. Vale promessa, fé, macumba, bruxaria e tudo que mais vier. As bebidas, sugiro as destiladas. Sobre promessa, me indicaram São Expedito. Dizem que é o santo das causas urgentes. Bom, já passou da hora de vencermos fora de casa. Então,Santo Expedito dê uma força aí pra nós. “Santo Expedito das Causas Justas e Urgentes, socorra a gente nesta hora de desespero. Faça com que nosso Santa Cruz Futebol Clube ganhe o jogo desse sábado, para que isso traga paz e conforto para toda família tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda”. Falaram também que Santa Rita pode ajudar. Segundo eu soube, ela também dá uma força nas causas impossíveis. “Santa Rita, minha querida! Interceda por nós. Nós que somos Santa Cruz, o time do santo nome que nasceu na frente de uma igreja. Fazei com que a gente vença nem que seja de 1 a 0. Pode ser até com um gol de Primão, de Barbio, de qualquer um”. Um amigo sugeriu oferecer algo a Logunedé. Outra falou que eu me agarrasse com Iemanjá. E a mãe de um conhecido disse que na hora do jogo, o bom é pegar uma toalha molhada e ficar dando nó nelas, para amarrar as pernas do adversário. E tem nosso eterno amigo e salvador, São Bambo. “Meu São Bambo, você que sempre esteve ao nosso lado, fazei com que neste dia 14 de outubro, quando o nosso Santa Cruz entrar em campo, todos os caminhos se abram na nossa frente e que todos os sinais fiquem vermelhos quando o adversário vier com a bola. Faça com que o velho Grafite tire a inhaca e consiga mandar uma bola para os fundos da rede do nosso inimigo. Pode ser de penalti. Ilumine os pés de André Luiz para ver se ele consegue chutar uma bola no gol. Solte os braços de Julio César para que ele defenda tudo que vier contra nossa meta. Aprume o pé de Anderson Sales para que a gente volte a ver um golaço de falta. Abra a porra da cabeça desse treinador e não deixe demorar a mudar o time, nem fazer substituições equivocadas. Por fim, meu santo São Bambo, traga a vitória para nós,...

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Na próxima a gente ganha
out09

Na próxima a gente ganha

Texto enviado pelo nosso colaborador Lucas Pinto Esse é um texto que eu sabia que iria escrever. Só não tinha certeza sobre o sentimento que iria colocar nele. Eis que me restou escrevê-lo com preocupação e esperança. Mas eu queria mesmo era que fosse de entusiasmo e felicidade. No sábado do jogo contra o América, estive pela manhã na escola da minha filha mais velha, era a feira de ciências dela. Durante uma apresentação, apareceram dois coroas com peças do Santa Cruz, o mais velho um boné e o outro uma camisa. Cheguei Pra Bia e falei “Bia, vai lá naquele tio, diz a ele que o Santa hoje vai ganhar e com gol de Grafitte”. A menina foi pra lá, foi pra cá, pensou, arrodeou e decidiu não dizer nada, estava com vergonha. Tudo bem. Quando sai de casa indo comprar cerveja, esperando meu grande amigo coral Batata, passei pelo frigorífico do tricolor. Aí rolou aquele tradicional diálogo rápido, entre a caminhada: – Dale tricolor! – Bora tricolor! – E aí, vamo ganhar hoje né?! – Vamo, mas se não ganhar hoje, a gente ganha na próxima. – com um riso sincero, ele respondeu. Essa resposta veio como uma bomba no meu juízo. Foi um misto de sentimento e de raciocínios. Foi nesse momento que este texto que vos escrevo nasceu. Sentia o medo da premonição, mas também, o orgulho de ter ouvido aquela frase forte, esperançosa e resistente “se não ganhar hoje, a gente ganha na próxima”. E veio o dilema, iria escrever sobre aquilo num momento alegre ou triste? Eis-me aqui. Madrugada de Domingo, preocupado. Pensando em como precisamos encontrar o “x da questão” urgentemente. Voltar para o inferno é fora de cogitação. Mas, e nós, torcedores? O que nos resta e cabe nesse momento? Uma coisa é certa: fugir da raia é que não é. Infelizmente, a diretoria claramente demonstra estar com os recursos esgotados. Mas, buscou fazer o seu papel, isso é inegável. A comissão técnica parece um pouco confusa. Então, só quem pode tomar atitudes fortes a ponto de mudar o panorama, é o time e a torcida. Mais uma vez, como em tantas outras. Somente o time e a torcida podem fazer alguma coisa! Então, guerreiros e guerreiras, os 9 mil de todo jogo ou os milhões de corais: não podemos baixar a cabeça! Vamos se manter firme na luta, firme no cumprimento do papel, pois a torcida também tem o seu, e acompanhar de perto, apoiando e cobrando, para que o elenco também cumpra o dele. E levar, no coração e na alma, a convicção de um coral que conhece a...

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A torcida guerreira de Pernambuco
out05

A torcida guerreira de Pernambuco

Texto enviado pelo colaborador Lucas Pinto Os tempos atuais são confusos. Muitos fatores alteraram a realidade das arquibancadas do Arruda, hoje vazias… Mas a história ninguém muda. Sinônimo de torcida guerreira é a torcida do Santa Cruz. É o que constantemente ouvimos em todo o mundo. Sim, todo o mundo! Nossa resistência na peleja rodou o planeta e quando se fala no futebol pernambucano, nós que somos a representação da força na bancada. Se engana quem pensa que fomos postos à prova somente nos “anos terríveis”. A vida nunca foi fácil na Zona Norte do futebol da cidade. Porém, a forma com que nossa nação entra de cabeça na luta, sempre chamou atenção e fez com que nos tornássemos uma torcida modelo. Daí veio a paixão da maioria dos corais da minha geração. Vivemos décadas difíceis, de raras conquistas dentro de campo. A festa, o povão, a alegria de (simplesmente) ir ao Arruda ver o Santinha, a honra de suar essa camisa no concreto armado do Colosso, foi o que nos apaixonou. Tenho certeza, isso não está morto! A luta é permanente. As vezes por títulos, as vezes por classificações, as vezes por permanências…, mas sempre estará acontecendo, sempre estará se desenrolando uma peleja e a nossa sede de lutar é infinita! Guerrear pelas três cores é a nossa razão. Isso é o futebol para os torcedores corais! Não iremos nos distanciar do time, não iremos ficar apenas assistindo. Vamos entrar em campo junto com o manto santa-cruzense. Vamos nos fazer efetivos e decisivos. Estaremos presentes! Temos 6 jogos em casa até o final da temporada. Jogos estes que precisamos vencer! Mas, para que a Cobra Coral entre forte na cancha, seu povo deve estar nas arquibancadas, deve estar ao lado, jogando junto. Se a gente levar um gol, vamos cantar pela virada! Se a partida tiver apertada, vamos fortalecer o Santa com nossos gritos. Vamos cantar os 90 minutos e “ai” de quem estiver com a energia contrariando nossa busca pela vitória! O momento é de “sangue nos olhos”. Todo mundo se ajudar, mas também se cobrar. Se queremos empenho no gramado, precisamos nos empenhar no...

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